Usina Itajobi pede recuperação judicial

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Usina Itajobi Açúcar e Álcool, localizada no município paulista de Marapoama, próximo a Catanduva, entrou ontem com pedido de recuperação judicial. O processo corre na Comarca de Itajobi e será analisado pela juíza Marina Miranda Belotti Hasmann. Com uma dívida ao redor de R$ 230 milhões, a empresa, que começou a operar em 1982, alega que a crise enfrentada pelo segmento de açúcar e etanol entre 2007 e 2010 foi o principal fator gerador da incapacidade de horar os compromissos financeiros. A usina fatura atualmente R$ 270 milhões por ano. Segundo o advogado responsável pela recuperação judicial, Julio Mandel, do escritório Mandel Associados, a maior parte da dívida é com os bancos Santander (R$ 50 milhões), BBM (R$ 26 milhões) e BTG Pactual (R$ 23 milhões).

“O que antecipou o pedido [de recuperação] foi a postura do banco BTG, que não quis alongar a dívida e parou de negociar”, afirmou Mandel ao Valor. Mandel explica que ainda não foi possível organizar uma lista detalhada de credores. Assim, não há dados de qual o valor da dívida que tem garantia real e quanto não tem. Foi pedido um prazo adicional de 15 dias para anexar os documentos com mais informações ao processo.

A consultoria Exm Partners está assessorando a Itajobi na negociação das dívidas. O pedido de recuperação inclui, além dos negócios da Usina Itajobi Açúcar e Álcool, os da Pastoril São Pedro, da AMSV Administração e Participações e da FCA Administração e Participações – encarregadas da gestão do patrimônio imobiliário do grupo. Todas são controladas por Mário Salles Vanni e Leda Zancaner Salles.

O pedido de recuperação afirma que as empresas estão “sob único controle e sob a mesma estrutura societária”. O pedido de recuperação, conta o advogado do caso, vem como forma de reestruturação financeira. Contudo, a venda da usina sucoralcooleira não está descartada.

“É bem-vinda”, disse. Atualmente, a capacidade de produção da Itajobi é de 14 mil sacas de açúcar para exportação (VHP) por dia e de 560 litros diários de etanol. De acordo com o último balanço disponibilizado no “Diário Oficial de São Paulo”, a usina apresentou lucro líquido de R$ 1,7 milhão no exercício fiscal encerrado em março de 2017, uma recuperação ante o prejuízo líquido de R$ 14,1 milhões de um ano antes.

Ao fim do ano fiscal 2016/17, o faturamento da usina somava R$ 246,4 milhões, avanço de 9% ante a safra 2015/16.

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