Tecsis consegue adesão para cortar dívida em 68%

Por Valor Econômico

(Atualizada às 11h) A fabricante de pás eólica Tecsis conseguiu, na terça-feira, fechar o quórum de adesão necessário à reestruturação de R$ 800 milhões em dívidas com instituições financeiras e fornecedores por meio de uma recuperação extrajudicial.

O juiz do caso, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, reduziu de R$ 228 milhões para R$ 169 milhões o crédito que a multinacional GE, principal ex-cliente da companhia, possui dentro da recuperação. Com a decisão do juiz, de terça-feira, o percentual de aceitação dos credores superou 65% – mínimo necessário para homologação do plano. Antes, a empresa tinha o consentimento de detentores de pouco mais de 59% dos compromissos. Ficaram dentro do processo apenas créditos da GE relacionados a empréstimos na forma de adiantamento para encomendas. O juiz não reconheceu para cobrança na recuperação valores pleiteados pela multinacional ligados a questionamentos de garantias de qualidade, por entender que não houve perícia definitiva para constituição da dívida. Consultada, a GE afirmou ao Valor “que este avanço é positivo para a Tecsis, que poderá resolver pendências e retomar suas atividades”.

Na recuperação judicial, a multinacional não aderiu ao plano. Como ocorre nesses processos, porém, terá os créditos reestruturados conforme aprovação pela maioria. A expectativa é que a homologação do plano ocorra ainda neste mês, após verificação da adesão pelo administrador judicial.

Então, a dívida de R$ 800 milhões, que não considera pendências trabalhistas e fiscais, será reduzida em 68%, para R$ 250 milhões – valor presente dos compromissos, pois os prazos de vencimento foram alongados para um intervalo de oito a 30 anos. Fora da recuperação judicial, a Tecsis também está perto de finalizar a renegociação de adiantamento de contratos de câmbio (ACC) que somam R$ 200 milhões e devem passar a aproximadamente R$ 70 milhões, segundo fontes a par das discussões.

Assim, a empresa – hoje controlada pela Estáter com 91% do capital, em sociedade com o BNDES – sairá de toda a reestruturação financeira com dívida de R$ 320 milhões, ante compromissos de R$ 1 bilhão. Fundada em 1995, a companhia entregou mais de 50 mil pás eólicas, até o fim de 2016, e foi uma das histórias de empreendedorismo mais badaladas do país – alvo de citações da ex-secretária americana Hillary Clinton e da revista “The Economist”. No auge de sua atuação, chegou a empregar mais de 9 mil pessoas. Atualmente, tem 150 funcionários.

Credora na recuperação extrajudicial, a GE esteve umbilicalmente ligada ao nascimento e à derrocada da Tecsis. Foi sobre um contrato de US$ 1 bilhão com a gigante americana que o fundador Bento Koike sedimentou o negócio, a partir de Sorocaba (SP). Após a crise com derivativos cambiais espalhados por exportadoras no Brasil, em 2008, o engenheiro foi diluído por uma operação de aporte financeiro pela Estáter e Unipar, além de conversão de dívida por bancos credores. Ao longo dos últimos sete anos, na tentativa de desconcentrar a carteira de clientes, conquistou projetos da Alstom. Porém, o processo de verticalização promovido pela GE nesse segmento, com a compra da Alstom e depois da concorrente da Tecsis, a LM Wind Power, fez secar os projetos.

Após adquirir R$ 1 bilhão em pás, em 2016, a multinacional reduziu a conta a R$ 20 milhões, no ano passado. Agora, Tecsis e GE estão na iminência de um embate arbitral a respeito de multas e ressarcimentos pelo cancelamento de pedidos.

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