Saraiva tem alta no lucro, mas dívida piora

Por Valor Econômico

A rede de livrarias Saraiva conseguiu melhorar os resultados operacionais no primeiro trimestre, com receita se expandindo acima das despesas. A situação de caixa, porém, sofreu uma piora, apesar dos adiamentos nos pagamentos às editoras neste início de ano. Esses atrasos tendem a melhorar, pontualmente, a situação de caixa das varejistas.

Os números publicados na noite de terça-feira mostram que a receita líquida subiu 13,3% de janeiro a março, para R$ 570,3 milhões, com a venda on-line registrando forte alta de quase 34% e as lojas físicas, de 2,4%. É a terceira maior taxa de crescimento entre as operadoras de comércio eletrônico no país que publicam balanços – atrás de Magazine Luiza e Mercado Livre.

O lucro líquido passou de R$ 281 mil de janeiro a março de 2017 para R$ 1,32 milhão neste ano.

As despesas operacionais subiram 9,5%, numa expansão abaixo da receita impulsionada por despesas com vendas (gastos com comissões, salários de funcionários) que praticamente não cresceram. Circulam informações no setor de que a empresa teria reduzido pessoal nos últimos meses, o que tem efeito positivo sobre essa linha. Duas lojas foram fechadas de janeiro a março e duas foram abertas – a rede tem 102 pontos. A companhia não detalha esses números.

Ainda em termos operacionais, a margem bruta foi o destaque negativo. Esse índice caiu de 32,1% no primeiro trimestre de 2017 para 31,5% neste ano. Piora no cenário competitivo, considerado “mais acirrado no varejo on-line”, diz a rede, afetou esse indicador.

Em relação à situação de caixa, o comando da empresa disse ontem para analistas que tem feito o “reperfilamento da sua dívida” e também a “renegociação de prazos com fornecedores”. A intenção é obter algum ganho no fluxo de pagamentos da rede, segundo o diretor presidente Jorge Saraiva Neto.

O Valor antecipou há cerca de um mês que a empresa está renegociando pagamentos, com adiamento nos prazos em alguns casos, com 31 editoras.

A questão central é que houve até um aumento do caixa da rede (de R$ 18 milhões em março de 2017 para R$ 30 milhões este ano) mas o valor dos recebíveis de cartões caíram 38%. Com isso, ao fim dos cálculos, a dívida líquida consolidada (após os recebíveis), piora. Se há um ano, o saldo final era positivo em R$ 93 milhões, agora há uma dívida líquida final de pouco mais de R$ 61 milhões.

A direção mencionou que contratou consultorias para avançar nas discussões com governos para a recuperação de créditos tributários. “Ao mesmo tempo, também estamos tentando reduzir a geração de créditos por meio de revisões e otimizações na malha logística”, disse Saraiva Neto. A Saraiva informou ainda que estuda abrir um novo centro de distribuição.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *