Santander quer liderar mercado de gestão de créditos em atraso

Por Valor Econômico

Foi com pouco alarde que o Santander anunciou, em agosto do ano passado, a compra de uma participação de 70% na gestora de recuperação de créditos em atraso Ipanema. O banco deixou a discrição apenas agora, e revelou planos ambiciosos para a empresa, que acaba de ser rebatizada de Return Capital: chegar à liderança desse mercado, que movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões anualmente no país.

Ainda neste ano, a meta é triplicar o volume de ativos sob gestão, atualmente em R$ 12 bilhões, afirmou ao Valor Lauro Leite, superintendente executivo do Santander e presidente da Return. A equipe da empresa dobrou com o reforço de 30 funcionários do banco, mas se manterá como uma companhia independente.

Embora separada do banco, a gestora espera se valer da força comercial do Santander para ampliar tanto o acesso a potenciais vendedores de créditos como de investidores. “Queremos resolver o problema de qualquer companhia que tenha vendas a receber em atraso”, afirma Leite.

As gestoras que atuam na recuperação de crédito compram carteiras “podres” de instituições financeiras e empresas, pagando um preço muito menor do que o valor original do crédito. A aposta é que serão mais eficientes na cobrança, recuperando um valor acima do que pagaram.

A entrada do Santander deve esquentar ainda mais a competição nesse mercado, que Leite prefere chamar de “pós-crédito”. O Itaú Unibanco está presente no segmento desde o fim de 2015, com a compra da Recovery, líder desse mercado e que pertencia ao BTG Pactual. A Ativos, do Banco do Brasil, deixou de atuar na recuperação exclusiva de carteiras do banco e passou a comprar créditos de terceiros.

A atuação independente do banco deve ser um dos diferenciais da Return, segundo Leite. “O Santander até pode entrar em alguma operação, mas não pretende atuar na compra de carteiras”, afirma. O capital da gestora continuará vindo de terceiros, principalmente investidores institucionais e estrangeiros, que já conhecem esse mercado. “Hoje existe mais recursos do que ativos disponíveis”, afirma.

Além de atuar na compra de créditos em atraso com suas gestoras, os grandes bancos também são os principais vendedores no mercado. Apenas em 2017, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander venderam quase R$ 26 bilhões em créditos inadimplentes. Mas o valor é ainda maior porque o Santander não revela o valor das carteiras baixadas a prejuízo que foram negociadas.

O Santander também não mudará a sua política de venda de carteiras para privilegiar a Return. “O que o banco pode fazer é nos contratar para fazer a recuperação de créditos, mas sem vender a carteira”, afirma, ao acrescentar que esse tipo de operação deve começar a acontecer tão logo os sistemas do banco permitam.

A Return pretende participar dos processos de compra de grandes carteiras, mas vê um mercado de atuação muito mais amplo em operações menores. “Conseguimos adaptar nosso processo a qualquer tipo de empresa”, diz Godofredo Barros, que era sócio da Ipanema e agora é diretor de desenvolvimento de negócios da Return.

A queda da taxa básica de juros (Selic) também favorece as gestoras que atuam nesse mercado, segundo Barros. O cenário atual contribui no processo de renegociação das dívidas, que tiveram de ser alongadas por um prazo maior do que o historicamente usado pelas empresas em razão da crise econômica. “O juro baixo nos dá mais tempo para fazer a recuperação dos créditos”, afirma.

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