Sabó entra em recuperação judicial para reduzir carga de juros

Por Automotive Business

No fim da quarta-feira, 24, a Justiça aceitou o plano de recuperação judicial da Sabó, uma das tradicionais fabricantes brasileiras de autopeças (retentores, juntas e sistemas integrados de vedação), com 77 anos recém-completados, que resistiu ao movimento de compras por multinacionais do setor no fim dos anos 1990 – muito pelo contrário, foi às compras no exterior e tornou-se ela uma multinacional. A empresa ainda não divulgou nenhum comunicado oficial sobre seu programa de recuperação, mas segundo fontes relataram o motivo do pedido é para renegociar dívidas e dessa forma reduzir a carga de jurosque vêm sendo pagos.

Representantes da Sabó passaram a semana visitando alguns dos principais clientes da indústria, como GM, Volkswagen e Mercedes-Benz, para informar sobre o plano de recuperação judicial e assegurar que todos os pedidos serão atendidos normalmente. Ainda segundo fontes ouvidas por Automotive Business, a empresa atualmente não tem nenhum problema de produção, qualidade ou atraso nas entregas.

Do faturamento anual na casa dos R$ 500 milhões, incluindo operações no Brasil e negócios internacionais, 60% vêm de componentes para reposição vendidos no aftermarket e 40% são vendas diretas às fabricantes de veículos e motores (OEM), sendo metade para exportação. Até o início desta década os porcentuais de fornecimento doméstico OEM, exportação e aftermarket eram equilibrados em 33% para cada segmento de negócio, mas a queda da produção de veículos no País (de 3,7 milhões de unidades em 2013 para 2,1 milhões em 2016) provocou a retração contínua do fornecimento doméstico OEM, redução das receitas e aumento do aftermarket.

A Sabó reduziu suas operações internacionais. No fim dos anos 1980, a empresa adquiriu a alemã Kako e expandiu os negócios com fábricas na Alemanha, Hungria, Áustria, Estados Unidos e China. Mas em 2014 vendeu o controle ao grupo chinês ZhonDing e permaneceu com 20% de participação.

Graças a investimentos feitos em desenvolvimento tecnológico para novos produtos e processos produtivos no Brasil, nos últimos anos a Sabó fechou importantes contratos de fornecimento para novos projetos de motores e caixas de câmbio no Brasil e no exterior. Contudo, os pedidos não foram suficientes para reduzir a enorme capacidade ociosa em suas duas fábricas brasileiras, a mais antiga em São Paulo, no bairro da Lapa, e a moderna unidade de Mogi Mirim, cerca de 200 km distante da capital paulista, que há dois anos ganhou linhas automatizadas digitalizadas de produção, sob o conceito de indústria 4.0, mas que ainda opera com apenas metade de sua capacidade instalada de 330 mil peças/dia.

A partir da crise deflagrada em 2008, a Sabó reduziu o quadro de empregados no País de 4 mil para os atuais 1,1 mil. Desde então, vem aumentando seu endividamento e o peso dos juros para financiar investimentos e capital de giro. Com a queda nos volumes de fornecimento e faturamento até o ano passado, a carga de juros começou a desequilibrar o balanço e gerar prejuízos, o que a empresa espera recuperar agora com a proteção da recuperação judicial, que permitirá a renegociação de dívidas para recolocar as contas no azul.

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