Quando as fábricas fecham, fica o silêncio

Por Valor Econômico

O que acontece quando as máquinas de uma grande fábrica são desligadas? A reportagem do Valor visitou cinco cidades de tamanhos diferentes em cinco Estados e ouviu histórias como a de Leonardo Moraes, que em março perdeu o emprego de ajudante de operações na fábrica de cimentos da Nassau, em Fronteiras, no Piauí. Ele ainda espera, em casa, receber seus direitos.

A quase três mil quilômetros dali, a empresária Romanilda de Moraes perdeu 40% da clientela que frequentava sua loja depois que a calçadista Via Uno fechou em Novo Hamburgo (RS). A lista das empresas locais que baixaram as portas nos últimos cinco anos ainda inclui a Calçados Jacob, Dilly Sports e Arteflex. Entre 2013 e 2016, a cidade perdeu 2,5 mil postos de trabalho no setor.

O fechamento da área primária da Usiminas, em Cubatão (SP), provocou uma reação em cadeia. Cimenteiras que dependiam dos resíduos da usina suspenderam a fabricação, empresas de fretamento de ônibus diminuíram as frotas, serviços de alimentação foram reduzidos e o comércio perdeu vendas. Em dois anos, 10 mil vagas foram fechadas.

Para Ubá, capital da indústria de móveis de Minas, o fechamento de empresas também foi um baque. Eram 17 mil empregos diretos no setor há três anos e hoje são 13,5 mil. Em Três Rios (RJ), a Neobus, do grupo Marcopolo, teve seu melhor momento em 2014, com 495 trabalhadores. Quando fechou, no ano passado, eram 280 empregados na barulhenta linha de montagem. Agora, apenas o silêncio, três pessoas e um cachorro rondam o local.

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