Plano da Oi só deve ser votado no ano que vem

Por Valor Econômico

A renúncia de Marco Schroeder ao cargo de diretorpresidente da Oi na sexta-feira, somada à rejeição de credores relevantes à quarta versão do plano de recuperação judicial da operadora, torna improvável a votação da proposta – que teve suas linhas gerais divulgadas na semana passada – ainda este ano. A assembleia de acionistas está marcada para 7 de dezembro.

“É pouco provável que isso ocorra ainda este ano”, disse uma fonte a par das negociações, sob condição de anonimato. A assembleia poderia até ser aberta – acredita a fonte -, mas no estágio em que se encontra o plano atualmente as chances de aprovação seriam mínimas. Representantes de um grupo de “bondholders” que preferem não se identificar informaram que são contrários à versão proposta. A rejeição empurraria a companhia para a falência. Procurada, a Oi optou por não comentar a possibilidade de o plano ser votado apenas em 2018.

“A saída do [diretor-presidente] Marco Schroeder foi um reflexo dessa situação”, acrescentou a fonte, referindo-se à renúncia do diretor-presidente da Oi na sexta-feira, como consequência de atritos com acionistas e membros do conselho da tele. Se não houver quórum para instalar a assembleia no dia 7, está prevista uma segunda convocação para 1º de fevereiro de 2018.

Na opinião do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, a renúncia de Schroeder tende a retardar a conclusão do processo de recuperação judicial da companhia. “A saída do presidente Schroeder, até prova em contrário, apenas empurra esse horizonte de obter um plano confortável um pouco mais para longe”, disse Castro ontem em evento em São Paulo.

A companhia oficializou ontem – por decisão unânime do seu conselho de administração – o diretor jurídico Eurico Teles no cargo de CEO da Oi. Em reunião de diretoria realizada na sexta-feira, ele já havia sido eleito interinamente para o posto.

No Rio de Janeiro para participar de um evento da União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês), o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ressaltou que uma intervenção governamental seria um desfecho não desejável para as turbulências enfrentadas pela Oi. “A intervenção é uma cirurgia de alto risco”, disse Quadros. “E continua não desejada.”

O presidente da Anatel disse que a renúncia de Schroeder não chegou a ser uma surpresa, uma vez que o executivo vinha num processo de desgaste com acionistas e conselheiros da operadora. “Só que ele fez essa renúncia num momento muito delicado, crítico”, afirmou Quadros.

Estava prevista para ontem a apresentação do plano de recuperação judicial, que inclui também um novo PSA (“Plan Support Agreement”), documento que estabelece condições para a participação de credores num futuro aumento de capital da operadora. Mas, até o fechamento desta edição, a proposta ainda não havia sido protocolada na Justiça. Divulgadas na última quarta-feira pela Oi, as linhas gerais do plano e do PSA incluem uma capitalização que pode chegar a R$ 11 bilhões. (Colaborou Ana Conceição, de São Paulo).

 

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