Odebrecht prepara reestruturação de dívida de R$ 40 bi

Por Valor Econômico

O grupo Odebrecht se prepara para iniciar um processo amplo de reestruturação de suas dívidas, que somavam R$ 90 bilhões, em valores brutos ao fim de 2017. A discussão, contudo, será restrita aos grandes bancos nacionais e aos detentores de bônus garantidos pela construtora – o que representa cerca de R$ 40 bilhões.

O trabalho não afetará as controladas Braskem, o maior negócio atualmente, nem a Ocyan, nem as dívidas bancárias fora do Brasil. O plano inicial é realizar negociações privadas, preferencialmente sem recorrer a uma recuperação judicial – o que dependerá também do comportamento das próprias instituições nas conversas.

Do total devido, perto de R$ 30 bilhões são com grandes bancos brasileiros, já excluídos os vencimentos da companhia petroquímica, que tem uma vida operacional e financeira independente do grupo controlador. Não há nesse momento nenhum desenho já pronto sobre o resultado final esperado para essa renegociação.

O objetivo é que os compromissos sejam adaptados, em volume e condições, ao tamanho de cada negócio ao qual estão relacionados. Para auxiliar nesse plano, o grupo contratou a RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher. A assessoria financeira, especializada em reestruturação de companhias, atuará diretamente na controlada sucroalcooleira Atvos, que possui R$ 12 bilhões em dívidas, e na empresa de empreendimentos imobiliários OR, que tem R$ 2,9 bilhões em compromissos. A RK também atuará na holding Odebrecht S.A. (ODB) para coordenação das discussões, uma vez que a controladora concedeu avais e garantias a suas subsidiárias. A ODB deve instalar nesta semana um Comitê Financeiro para assessorar o conselho de administração no acompanhamento desses esforços, que será coordenado pelo novo integrante do colegiado João Nogueira Batista.

A holding também tem um novo diretor financeiro, Marco Rabello, que antes pertencia aos quadros da OEC. Com exceção da Braskem e da Ocyan, que teve sua dívida de US$ 5 bilhões já reestruturada, os demais negócios do grupo estão em default ou com bancos ou com fornecedores. Daí a necessidade de organizar os processos, em busca de “uma solução estruturante”, conforme o que o grupo tem dito aos bancos. Em 2017, a ODB teve receita bruta de R$ 82 bilhões, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 17 bilhões. Desde 2016, a ODB tem um programa de venda de ativos aberto, com meta de R$ 12 bilhões. Desse total, R$ 7,4 bilhões foram concluídos, com redução da dívida em cerca de R$ 10 bilhões. Os compromissos do grupo passavam de R$ 100 bilhões quando foi atingido pela Operação Lava-Jato. A holding está perto de fechar acordos para concluir a venda de Chaglla, no Peru, por US$ 1,4 bilhão, e da usina de Santo Antônio, que pode render, de imediato, R$ 1,3 bilhão.

Com a reestruturação, a companhia quer evitar consumir tudo que arrecada pagando dívidas bancárias apenas, como fez nos últimos anos. O objetivo é conseguir estar estruturada para o que espera ser um novo ciclo de crescimento do país.

O entendimento de pessoas próximas à Odebrecht é que o grupo decidiu que era o momento de dar foco às questões financeiras, após resolver os temas ligados à gestão e governança e aos acordos de leniência necessários à liberação, em especial, da OEC para contratação em novas obras. A discussão para renegociação da dívida de US$ 3 bilhões da construtora com títulos emitidos fora do Brasil, cuja largada foi dada na segunda-feira, ocorrerá de forma paralela às conversas com os bancos. Em maio, a Odebrecht sofreu críticas por consumir seu principal ativo, a Braskem, para obter R$ 2,6 bilhões em dinheiro novo para sanar dívidas de suas controladas.

No começo de 2018, o plano do grupo era obter R$ 3,1 bilhões em dinheiro novo. Fonte ligada à empresa afirma que o grupo não desistiu de buscar o volume total pretendido. BNDES, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander têm em garantia todas as ações da Braskem, detidas pela Odebrecht, desde 2016.

Após o acordo de maio com as instituições, pouco mais de R$ 12 bilhões são dívidas, dos mais variados negócios, garantidas com a petroquímica

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