O raciocínio falido dos banqueiros centrais

Por Forbes

A flagrante falência intelectual da maioria dos formuladores de políticas econômicas atuais foi exibida de forma incisiva quando o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, anunciou recente e inesperadamente que o BCE faria uma nova rodada de empréstimos baratos aos bancos em setembro para ajudar a estimular as economias cambaleantes do continente.

Apesar de décadas de dados decepcionantes que demonstram que os bancos centrais não podem determinar o ritmo da atividade econômica da maneira que um termostato determina a temperatura de um recinto, os líderes políticos e econômicos ainda insistem em perseguir essa fantasia. O custo da prosperidade perdida é imenso. Se os bancos centrais e seus líderes políticos perseguissem a meta de ter moedas estáveis – e se o dólar dos EUA permanecesse vinculado ao ouro –, o bem-estar material do mundo provavelmente seria o dobro do que é hoje.

Os banqueiros centrais e muitos economistas não entendem esta verdade básica: dinheiro não é riqueza. Por si só, imprimir um monte de notas não gera riqueza. Significa apenas que você pode usar esses pedaços de papel para comprar um produto que outra pessoa criou. O vendedor aceita os pedaços de papel porque também pode usá-los para comprar um produto ou serviço criado por alguém.

O dinheiro é um direito não sobre algo específico, como um casaco, mas sobre qualquer coisa à venda no mercado. Ele permite trocar o seu trabalho ou os seus bens por outras coisas que você possa querer ou de que possa precisar. De fato, o dinheiro é um recibo do valor dos bens e serviços que produzimos e que podemos querer vender.

É por isso que a falsificação é ilegal. Se você imprime uma nota de US$ 100 e a usa para comprar uma coisa, está roubando essa coisa, porque aquele Benjamin Franklin falso não foi resultado de um bem que foi feito de fato. Quando os governos imprimem dinheiro em excesso, o resultado é a inflação, um imposto dissimulado.

É por isso que a maior parte do que é aceito hoje em dia como sabedoria em política monetária é muito mais prejudicial do que a flatulência das vacas que tanto preocupa um número crescente de políticos alarmistas. Os bancos centrais e os governos não criam recursos. Eles tiram recursos do resto de nós para suas próprias finalidades. É absurdo achar que uma nova rodada de estímulos bancários pelo BCE levará a Europa ao crescimento sustentável.

O que desencadeou o grande boom após a 2ª Guerra Mundial na Europa, particularmente na Alemanha e no Japão, foram dinheiro estável e impostos sensatos. Em contraste, a Grã-Bretanha ficou para trás, capengando com uma libra cronicamente desvalorizada e alíquotas de impostos altíssimas, até aparecer Margaret Thatcher. Nos anos 1970, o Fed tentou, várias vezes, estimular a economia dos EUA com uma política de “dinheiro fácil”. Resultado: inflação e estagnação que duraram uma geração.

No início dos anos 2000, estimulado pelo Departamento do Tesouro, o Fed desvalorizou o dólar, o que levou ao
desastre de 2008-2009. Após o pânico no fim de 2008, o Federal Reserve iniciou a flexibilização quantitativa, quintuplicando seu portfólio com títulos do Tesouro e pacotes de hipotecas. Resultado: a pior recuperação econômica de uma forte recessão em toda a história norte-americana.

É aí que mora o problema. Na prática, com a flexibilização quantitativa, o Fed confiscou quase US$ 4 trilhões em
títulos do setor privado. A combinação desse confisco com regulamentos que tornaram extremamente caro para os bancos emprestar a pequenas e novas empresas distorceu os mercados de crédito e asfixiou a economia. Que estímulo, hein?! Por isso, alguns mitos devem ser enfrentados.

• Uma economia não “superaquece”. Não é responsabilidade do Fed tentar conter a economia quando ela está crescendo rapidamente. A única ocasião em que a prosperidade deve ser alvo de suspeita é quando ela é criada de forma artificial pelo barateamento da moeda. Deixe os mercados em paz. Eles corrigem quaisquer excessos.

• Os controles de preços sobre o custo de tomar dinheiro emprestado não funcionam. Até os conservadores parecem acreditar na falácia de que os bancos centrais deveriam tentar determinar o custo dos empréstimos. A maioria dos economistas sabe que os controles de aluguel distorcem o mercado. Os juros são o “aluguel” que se paga para tomar dinheiro emprestado. O jogo só acaba quando termina. O lema vale também para a vida, e o novo livro de Rich Karlgaard é a prova definitiva disso. Ao lê-lo, você ficará ao mesmo tempo aliviado e inspirado. Ele traz três grandes lições.