Maiores acionistas da Oi aprovam plano de capitalização

Por Valor Econômico

Representantes dos principais acionistas da Oi fecharam ontem as bases do aumento de capital desenhado para fortalecer financeiramente a tele, informaram fontes familiarizadas com a operação. Houve concordância em relação ao valor e ao prazo da capitalização, de R$ 8 bilhões em três anos.

Os pontos foram acordados em reunião do comitê estratégico da Oi, da qual participaram representantes dos acionistas Pharol e Société Mondiale. A proposta depende de aprovação do conselho de administração da companhia.

Segundo fontes envolvidas na discussão, há chance de a Oi anunciar nos próximos dias a inclusão do aumento de capital no seu plano de recuperação judicial.

O programa para pagamento de credores da Oi até o limite de R$ 50 mil, por sua vez, continua paralisado desde sexta-feira por causa de uma liminar obtida pelo China Development Bank. A Oi já recorreu, mas ainda não conseguiu derrubar a liminar.

Após a reunião do conselho da Oi, em 21 de junho, em que a diretoria da tele apresentou proposta de aumento de capital de R$ 8 bilhões, encontros entre acionistas e credores têm sido realizados para discutir o assunto.

Na prática, a operação significaria a diluição das participações dos acionistas que não acompanharem o aumento de capital. Fundo ligado ao empresário Nelson Tanure, o Société Mondiale – que detém 7% das ações ordinárias da Oi – diz contar com o apoio de parceiros financeiros para manter sua fatia no patamar atual. Já os portugueses da Pharol – donos de 27,49% dos papéis com direito a voto – apoiam a capitalização, mas avaliam se vão participar da operação.

Paralelamente às discussões sobre a capitalização, a Oi negocia com um grupo formado por investidores financeiros, fornecedores e um operador de telecomunicações chinês sobre uma possível participação na companhia, informou uma fonte, frisando que as conversas ainda estão em estágio inicial. “Acredito que não busque controle [da companhia], quer participar do processo [de recuperação judicial] e da Oi”, esclareceu a fonte, sobre o grupo.

Uma segunda fonte, que também pediu para não ser identificada confirmou, que o ex-ministro Hélio Costa – membro titular do conselho de administração da Oi, representando Tanure – está na China para tentar costurar uma aliança com um grupo chinês. O objetivo é garantir recursos e apoio operacional à Oi, acrescentou essa fonte. “Não é algo imediato, são conversas preliminares, que foram precedidas por contatos à distância”, disse.

O possível aporte de recursos pelos chineses se daria dentro do aumento de capital que está em discussão pelos sócios da operadora. O Banco Modal está assessorando um grupo formado pelo fundo TPG e a fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações ZTE na formulação de uma proposta para a Oi, confirmou uma terceira fonte que acompanha as negociações. Procurado, o Modal preferiu não se manifestar sobre o tema. A Oi também optou por não se pronunciar sobre as definições relacionadas à capitalização.

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