Juiz concede recuperação judicial para a Canatiba

Por Liberal

Empresa tem 2,3 mil funcionários e entrou na Justiça com o argumento de que as dívidas colocam em risco as operações e até os salários dos empregados O juiz Paulo Henrique Stahlberg Natal, da 2ª Vara Cível de Santa Bárbara d’Oeste, concedeu o pedido de recuperação judicial feito pela têxtil Canatiba, de Santa Bárbara d’Oeste, e suspendeu todas as ações de cobrança contra a empresa, que tem cerca de 2,3 mil funcionários e entrou na Justiça com o argumento de que tais dívidas colocam em risco as operações da companhia e até os salários de seus empregados.

O pedido de recuperação judicial foi feito pelos advogados da empresa sob o argumento de que as cobranças judiciais contra a empresa, consideradas “abruptas e indevidas”, e que somam R$ 625 milhões, são da Tauá Biodiesel Ltda., empresa pertencente a três dos quatro donos da Canatiba, e não da têxtil barbarense.

Diante do pedido, o magistrado determinou que a empresa Brasil Trustee Assessoria e Consultoria, de Campinas, realizasse perícia técnica dos documentos apresentados pela Canatiba. A consultoria recomendou que fosse concedida a recuperação judicial.

Todos os documentos apresentados pela empresa foram analisados e a conclusão é que as atividades e os ativos da têxtil possuem índices satisfatórios, mas, segundo eles, fica evidente que, com as cobranças relativas à Tauá, a Canatiba ficará com os caixas comprometidos, “não restando recursos suficientes para arcar, por exemplo, com o custo da folha de pagamento, fornecedores, obrigações fiscais”.

A perícia apontou que até abril deste ano não havia problemas de caixa na empresa, mas diante das cobranças iniciadas em maio “a situação se reverteu completamente, sofrendo considerável declínio”. Os peritos escrevem ainda que “a alternativa da recuperação judicial, diante do cenário posto, mostra-se adequada, a äm de viabilizar a continuidade das atividades realizadas pelas empresa”.

Mais prazo

Na decisão desta terça-feira, o juiz aponta que a Canatiba “demonstrou sua crise econômica-financeira indicando as suas causas e a necessidade de concessão de prazo dilatado para o cumprimento de suas obrigações”, e desconsiderou as petições de duas instituições financeiras que pediram a impugnação do pedido da têxtil.

Natal nomeou a mesma consultoria de Campinas como administradora judicial da Canatiba na recuperação, e suspendeu todas as ações ou execuções contra a empresa barbarense. O juiz determina na decisão que seja apresentado plano de recuperação judicial em prazo de até 60 dias, e que a Canatiba apresente à Justiça demonstrativos mensais do desenvolvimento enquanto durar a recuperação judicial.

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