Filial da Takata no Brasil não entrará em recuperação judicial

Por Valor Econômico

A direção da empresa de autopeças Takata no Brasil informou ontem que as subsidiárias da companhia japonesa no Brasil e Uruguai estão fora do pedido de recuperação judicial do grupo. Segundo a empresa, o pedido limita-se às operações nos Estados Unidos, Japão e México.

Num dos maiores recalls da história da indústria automobilística, a Takata foi responsabilizada e assumiu a culpa por uma falha em airbags, que provocou a troca do item em mais de 30 milhões de veículos em todo o mundo nos últimos três anos e arranhou a imagem da companhia.

A empresa também confirmou ontem a americana KSS (Key Safety Systems) como novo investidor do grupo. O mercado espera que em breve seja confirmada a efetiva compra da Takata pela KSS.

A direção da filial brasileira recebeu com satisfação a notícia da aproximação do grupo com a KSS. “É uma notícia positiva para todos nós, pois as duas empresas combinadas formam uma companhia ainda mais forte e melhor preparada para a continuidade e ampliação dos negócios”, destacou o presidente da operação brasileira, Airton Evangelista, por meio de nota.

A Takata tem três fábricas no Brasil, com cerca de 1,8 mil empregados. Produz volantes, cintos de segurança e airbags. A maior e mais antiga fica em Jundiaí, no interior de São Paulo. Foi inaugurada no início da década de 70 e produz as três linhas de produtos. A segunda fábrica fica em Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte, e a mais nova, em Piçarras (SC), foi erguida no início dos anos 2000, com estímulos da guerra fiscal entre Estados.

A produção em escala dos airbags no Brasil começou em 2010, pouco antes da lei que tornou o equipamento obrigatório nos automóveis novos. Os airbags produzidos no Brasil são feitos com mais de 50% de itens importados.

Segundo a direção no Brasil, a companhia pretende manter as operações “em pleno desenvolvimento”. O processo de recuperação em alguns países visa, destaca a nota, “gerir custos para que todas as operações no mundo continuem a operar normalmente”.

Desde 2013, quando foi descoberto o defeito, 100 milhões de airbags já foram substituídos em todo o mundo, incluindo carros que rodam no Brasil. Em fevereiro deste ano, a empresa fechou acordo com a Justiça americana para pagar US$ 1 bilhão como compensação a fabricantes de veículos e vítimas dos acidentes relacionados ao defeito. Total de 16 pessoas morreram nos Estados Unidos e na Malásia.

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