Eternit assume totalidade da CSC

Por Valor Econômico

A recuperação judicial da Eternit possibilitou que a companhia negociasse o pagamento dos 40% que ainda não detinha da Companhia Sulamericana de Cerâmica (CSC) em condições favoráveis, para daqui a 24 meses, conforme o desempenho da empresa nesse período. Na noite de sexta-feira, a Eternit, que já tinha 60% da joint venture de louças sanitárias CSC, anunciou a compra da fatia restante, até então pertencente à Compañia Colombiana de Cerámica S.A.S. (Colcerámica). Por enquanto, foi pago apenas valor simbólico.

A aquisição da fatia restante da CSC faz parte da estratégia da Eternit – conhecida pelos produtos de amianto – de diversificar suas atividades para depender menos da venda de telhas de fibrocimento, segmento responsável por 70% da sua receita. “A nova Eternit é uma empresa voltada para a construção civil muito menos dependente do fibrocimento do que era”, afirma o presidente, Luís Augusto Barbosa.

Com a proibição da extração do amianto, a Eternit – que possuía a única mina em operação no país – perdeu sua competitividade em relação a outros fabricantes de telhas de fibrocimento, de acordo com o executivo.

Quando a Eternit pediu recuperação judicial, no dia 20 de março, uma das razões apresentadas para a necessidade de ajuizamento foram os resultados da CSC. No ano passado, a Eternit registrou equivalência patrimonial negativa de R$ 28,6 milhões da CSC. Os resultados da empresa eram contabilizados como equivalência patrimonial devido ao controle compartilhado com a Colcerámica. A partir de agora, serão consolidados no balanço da Eternit.

Os ex-sócios na CSC continuarão a fornecer tecnologia, moldes e componentes para a empresa. Segundo Barbosa, independentemente da recuperação judicial, a Eternit tinha a intenção de ter 100% da CSC.

De acordo com o presidente da Eternit, foram identificados pontos que levaram aos resultados ruins da CSC. Havia o entendimento de que seria possível vender louças sanitárias por meio da mesma equipe comercial de telhas de fibrocimento e ter distribuição nacional para o novo segmento.

A CSC reforçou a fabricação de itens para os segmentos mais sofisticados e deu início a exportação de produtos. “Não temos mais problemas de custo e criamos força de vendas dedicada a louças”, conta Barbosa. A distribuição passou a se concentrar na região Norte e em alguns mercados do Nordeste. Apenas a parcela de louças importada da China pela CSC continuará a ter distribuição nacional.

Houve revisão do portfólio de produtos. “A CSC adotava design colombiano, voltado para preferências dos americanos. Os brasileiros preferem desenho mais europeu”, diz o presidente da Eternit.

Nos próximos dois meses, a Eternit irá apresentar o plano de recuperação judicial, com a proposta de pagamento aos credores. “Nossa ideia é aprovar o plano em tempo recorde”, diz o presidente. Segundo Barbosa, o caixa da Eternit tem sido suficiente para conduzir o dia a dia e alguns fornecedores, como fabricantes de cimento, têm oferecido prazos maiores de pagamento.

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