Eneva volta aos leilões e planeja investir em geração renovável

Por Valor Econômico

Maior geradora termelétrica privada do país, a Eneva planeja investir no segmento de energias renováveis. A companhia inscreveu no último leilão de energia nova, há duas semanas, 230 megawatts (MW) de potência de projetos eólicos no Rio Grande do Norte, de um total de 900 MW que possui em carteira.

Porém, ela não fez lances para a fonte. Com relação à energia solar, a empresa estuda possibilidades de ampliar a usina atual que possui no Ceará, de 1 MW. No leilão A-6, que negociou contratos de energia de novos empreendimentos com início de fornecimento seis anos a frente (2024), a companhia comercializou 326,4 MW médios da termelétrica Parnaíba V, de 386 MW de potência. A usina, na prática, vai produzir energia a partir do vapor obtido da geração de Parnaíba I, movida a gás natural.

Foi a primeira vitória do grupo em leilões desde 2011 e após um processo de recuperação judicial e reestruturação do controle acionário, que culminou com a saída do seu fundador, o empresário Eike Batista, em 2016, e de um “re-IPO” (nova oferta inicial de ações), em 2017. Além de Parnaíba V e das eólicas, a companhia também inscreveu no certame a térmica a gás de Azulão, no Amazonas, mas não fechou contratos para esses projetos. “Com a reestruturação de balanço quase terminada, ainda falta uma fase final que devemos concluir ainda no fim deste ano, de otimização da estrutura de capital, a companhia passa a ter agora uma agenda e uma vertente de crescimento, com projetos do tipo Parnaíba V e Azulão, e oportunidades que há dentro [no setor] de ventos e outros segmentos que possam vir a surgir, como solar, um mercado promissor”, afirmou o presidente da Eneva, Pedro Zinner, ao Valor. “A cara da companhia mudou”.

Com receita líquida anual de R$ 2,7 bilhões e Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual de R$ 1,3 bilhão, a Eneva tem hoje valor de mercado de R$ 4,1 bilhões e um “enterprise value” (valor de mercado mais dívida líquida) de R$ 8,5 bilhões.

O parque gerador da empresa é de 2,2 gigawatts (GW), formado por termelétricas a gás natural (1,427 GW) e carvão (725 MW) e uma usina solar de 1 MW. Com Parnaíba V, a capacidade da geradora alcançará 2,5 GW até 2024. A expectativa da Eneva, porém, é antecipar o início de operação da térmica para o começo de 2022.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *