Em recuperação judicial, Zanatta reestrutura negócios

Por Valor Econômico

Com dívidas de R$ 237 milhões à espera da execução do plano de recuperação judicial, o grupo catarinense Zanatta pôs em marcha uma ampla reestruturação dos negócios em meados do ano passado e os resultados do primeiro trimestre indicam que a operação pode voltar a ser rentável ainda em 2017, de acordo com o executivo responsável pela reorganização do grupo, Leandro Buciani.

Um dos mais tradicionais fornecedores de copos plásticos e pratos descartáveis, o Zanatta fechou essa unidade de negócio e se concentrou em recuperar as atividades da Canguru, empresa de embalagens flexíveis, e da Imbralit, fabricante de telhas onduladas de fibrocimento e caixas d’ água de plástico.

Com isso, no primeiro trimestre, o faturamento subiu 5% frente aos últimos três meses do ano passado, para R$ 50 milhões. Ante o mesmo intervalo do ano passado, porém, houve queda de 31%, como reflexo da suspensão das atividades da Zanatta Descartáveis (Inza).

A margem Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), negativa em 12,9% nos três primeiros meses do ano passado, voltou ao terreno positivo e ficou em 4,6%, apesar do cenário doméstico desafiador. “A melhora da eficiência operacional, ações comerciais nas duas empresas, que levaram à retomada das vendas, e a melhora da credibilidade ajudaram a segurar os impactos da crise”, diz

Por causa do cenário econômico, explica o executivo, o grupo ainda está aproximadamente 9% abaixo do orçamento definido, assim como tem ocorrido em uma série de clientes, incluindo multinacionais, que sentiram a redução das vendas ao consumidor final. Mas a expectativa é a de que o segundo semestre seja mais forte, consolidando o “novo” grupo Zanatta como operação rentável.

Na Canguru, seis novos clientes por mês têm sido adicionados à carteira neste ano. Mas, como o ciclo de especificação e aprovação das embalagens e consolidação das vendas pode levar até seis meses, o impacto de contratos relevantes firmados recentemente deve ficar para o segundo semestre. Na Imbralit, as vendas de telhas ficaram dentro do esperado nos três primeiros meses do ano, com a entrada de 80 clientes por mês ao longo deste ano. A maior competição nesse mercado, na esteira da crise, foi compensada por redução de custos e melhoria operacional.

Boa parte das iniciativas previstas no plano de reestruturação já foi executada ­ incluindo a redução das despesas financeiras. Agora, com algum fôlego financeiro, o Zanatta vai executar pequenos investimentos que garantirão melhorias operacionais. Projetos mais ousados, diz o executivo, dependerão da venda de ativos, que é parte do plano de recuperação judicial. “O plano prevê a venda de ativos para pagar credores e também para reinvestir no negócio.”

O pedido de recuperação judicial foi aceito pela Justiça há dez meses, mas o plano ainda não foi aprovado pelos credores. A expectativa é que a assembleia que tomará essa decisão seja convocada no segundo semestre, conta Buciani. “Já estamos falando com os principais credores”, diz, referindo­-se a fundos de investimento e fornecedores locais e internacionais. Uma das medidas contempladas no plano é justamente a venda da Inza, além de outros imóveis e bens do grupo.

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