Credor da Mendes Júnior faz contraproposta

Por Valor Econômico

Credores da construtora Mendes Júnior propuseram ontem alterações no plano da empresa para saldar uma dívida de R$ 302,2 milhões. A proposta foi assinada durante assembleia dos credores ocorrida em Belo Horizonte. A empreiteira terá até 25 de janeiro para dizer se aceita as demandas dos credores ou se responderá com uma nova proposta.

A empresa, um dos alvos da Operação Lava-Jato, requereu no início do ano à Justiça de Minas Gerais a instauração de recuperação judicial e inscreveu nesse processo 3,3 mil credores. Ontem, aproximadamente 450 deles participaram da assembleia.

A empreiteira tem pendências com trabalhadores, empresas que alugaram máquinas e equipamentos, pequenos prestadores de serviço e também com escritórios de advocacia. Os credores estão em várias regiões do país. Entre as mudanças propostas ontem, estão as que afetam ex-funcionários e as companhias de locação de máquinas como escavadeiras, carregadeiras e tratores.

Para o primeiro grupo, a Mendes Júnior havia proposta pagar o que deve apenas onze meses após a homologação pela Justiça do plano de recuperação. A contraproposta feita ontem prevê que o pagamento seja feito imediatamente após a homologação. Do total de credores, 1.760 são trabalhadores, a quem a empresa deve R$ 30 milhões.

Para o segundo grupo – que é para quem a empresa mais deve, R$ 46 milhões – a proposta da empreiteira era de pagamento em parcela única, mas somente 15 anos depois da homologação e somente 50% do devido.

Conforme o Valor já havia informado, dois dos maiores credores da Mendes Júnior disseram que não aceitariam esse prazo. Ontem, os credores presentes propuseram dar à Mendes Júnior carência de três anos para que comece a pagar esses créditos e o desembolso deve ser feito ao longo de 60 meses corrigidos pelo IPCA. O deságio cairia de 50% para 25%, segundo informou a advogada Maria Celeste Guimarães, administradora da recuperação judicial.

“São modificações razoáveis”, disse ontem à reportagem, após a assembleia, o advogado que defende a construtora, José Murilo Procópio. Ele afirmou que as propostas dos credores serão agora analisadas pela companhia.

“Desde que eu entrei com o pedido de recuperação judicial, o Brasil mudou e as condições foram melhorando. É natural que a gente faça um reequilíbrio na proposta”, disse Procópio.

A Mendes Júnior tem um histórico de sete décadas de obras públicas, entre elas a Ponte Rio-Niterói, a hidrelétrica de Itaipu, uma etapa inicial da Transamazônica, o Memorial da América Latina, em São Paulo, além de obras no exterior.

A empresa também firmou, ao longo de anos, contratos importantes com a Petrobras. Um dos mais recentes foi a construção de plataformas para a petroleira.

Mas as investigações da Lava-Jato chegaram à construtora mineira e levaram à condenação de executivos da empresa por crimes relacionados à corrupção ativa. Sérgio Cunha, um dos executivos condenados, é sobrinho do presidente da Mendes Júnior, Murillo Mendes, de 91 anos.

Em abril do ano passado, a construtora foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU), o que impede a companhia de assinar contratos públicos por dois anos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *