BCE quer criar plataforma para crédito problemático

Por Valor Econômico

As plataformas de transações estão sendo consideradas uma possível solução para o estoque elevado de empréstimos de liquidação duvidosa ou inadimplentes (NPLs) na Europa.

Segundo levantamento do Banco Central Europeu (BCE), o volume bruto total de NPLs na União Europeia (UE) situava-se em cerca de € 1,3 trilhão no final de março 2017 (último dado disponível), dos quais € 921 bilhões em balanços de bancos da área do euro. Portanto, a proporção de NPL sobre o total de empréstimos da UE e sobre o total de bancos da zona do euro eram, naquele mês, de 5,1% e 6,1%, respectivamente.

Em relatório publicado ontem, o BCE defendeu a criação de uma plataforma de negociação centralizada para estes empréstimos de má qualidade – o que, segundo a instituição, poderia ajudar a reduzir custos para potenciais investidores e, assim, aumentar os preços dos empréstimos.

É o último de uma série de movimentos feitos pelo BCE, principal supervisor bancário da zona do euro, para estimular os credores a se livrar desses empréstimos que estão obstruindo os balanços e travando o crescimento econômico.

A plataforma poderá ser configurada pelos bancos que pretendem usá-la para vender NPLs ou por um provedor de dados de terceiros, disse o BCE. A ferramenta deve coletar, validar e harmonizar dados em empréstimos inadimplentes e oferecer aos investidores a capacidade de executar as transações, afirmou a autoridade.

O mercado secundário de NPLs na área do euro atualmente sofre com vários problemas, especialmente por ter característica de oligopólio, isto é, tem um número limitado de grandes compradores e baixos volumes de transações e preços. Isso porque é caro para os investidores pesquisarem os detalhes e a história de cada empréstimo individualmente. Dessa forma, os volumes e os preços das transações tendem a estar abaixo do que poderiam em um mercado totalmente competitivo.

Na visão do BCE, a plataforma poderia aliviar essas falhas de mercado padronizando e validando os dados de níveis de empréstimos, reduzindo custos de diligência e, portanto, aumentando o número de potenciais investidores no mercado. “Ao trazer transparência ao mercado e reduzir os custos de transação, as barreiras à entrada podem ser reduzidas e uma base de investidores mais ampla e diversificada pode ser trazida ao mercado, aumentando a concorrência de preços e resultando em um mercado mais profundo e mais líquido”, diz o documento.

O BCE, entretanto, considera ser ainda necessária uma análise mais aprofundada para avaliar a viabilidade do conceito de plataforma, especialmente no que se refere ao impacto da proteção de dados e às regras de sigilo bancário.

 

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