Bancos em alerta: JBS pode pedir recuperação judicial

Por Correio Braziliense

Funcionários de bancos credores do grupo J&F, que controla a JBS, estão em polvorosa. Em troca de mensagens durante toda a manhã de hoje, levantaram a possibilidade de as empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista pedirem recuperação judicial por total incapacidade de honrar seus compromissos em dia.

Segundo esses funcionários de bancos, o caixa da JBS despencou. Até 17 de maio, quando o Brasil se surpreendeu com a delação dos irmãos Batista, os cofres da companhia estavam abarrotados em cerca de R$ 11 bilhões. Atualmente, estima-se que a quantia disponível seja de R$ 7 bilhões, insuficiente para fazer frente às dívidas de R$ 18 bilhões que vencem nos próximos 12 meses. No total, a holding do grupo, a J&F, deve R$ 58 bilhões.

A discussão dentro dos bancos credores é se realmente vale a pena renegociar os débitos ou forçar o grupo a se desfazer de ativos, o que ficou muito mais difícil depois do bloqueio de bens determinado pela Justiça. Os balanços do segundo trimestre dos bancos, por sinal, já virão com fortes provisões contra perdas com os irmãos Batista.

A JBS garante que, com faturamento anual de mais de R$ 170 bilhões, continua operando normalmente. Mas não é bem assim. A empresa foi obrigada a mudar toda a sua relação com os fornecedores para evitar uma sangria maior no caixa. Já há demissões sendo feitas em várias unidades da empresa.

Para especialistas, o melhor que a JBS deve fazer agora é se desfazer de ativos para garantir a sobrevivência. O que sobrar do patrimônio deve ser concentrado em uma única empresa que, nem de longe, carregue o nome JBS ou Friboi. Essas marcas se tornaram sinônimos de corrupção.

Na tentativa de salvar uma parcela do patrimônio da JBS, acionistas minoritários, capitaneados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), se movimentam para afastar os irmãos Batista da gestão dos negócios. Acreditam que, assim, terão facilidade maior para renegociar as dívidas com os credores.

A instituição financeira mais reticente à renegociação é o Itaú Unibanco. Pelos contratos, os bancos podem pedir antecipação dos pagamentos quando o total de débitos atingir 4,75 vezes a geração de caixa. Hoje, calcula-se que essa relação esteja em 4,5 vezes.

Procurada, a J&F Investimentos, controladora da JBS, informou que repudia qualquer ilação a respeito de uma possível recuperação judicial da companhia. A companhia ainda detalhou que tal possibilidade não tem nenhuma correspondência com os fatos e nunca foi aventada, até porque não é necessária. A controladora da JBS ainda comentou que mantém sua situação financeira robusta, com faturamento de mais de R$ 170 bilhões em 2016, e continua trabalhando normalmente, com total foco no fornecimento de produtos e na prestação de serviços.

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