Agências de crédito fazem alerta sobre Oi

Por Valor Econômico

Duas agências europeias de crédito à exportação – a Belgian Export Credit Agency e a Finnish Export Credit Agency – enviaram mensagens, por e-mail, a quatro ministros do governo Michel Temer, manifestando preocupação com o rumo das negociações em torno da recuperação judicial da Oi, a operadora com maior presença nacional. As duas agências são credoras da Oi porque financiaram a compra de equipamentos de telecomunicação fabricados na Bélgica e na Finlândia. No total, emprestaram US$ 1 bilhão.

Nas mensagens enviadas aos ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Eliseu Padilha (Casa Civil), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), as agências estrangeiras disseram temer que o plano de recuperação, que está sendo negociado entre acionistas e credores e agora com a participação do governo, beneficie apenas os atuais acionistas.

Os credores fizeram uma clara advertência às autoridades brasileiras: a comunidade financeira internacional vem acompanhando de “muito de perto” a crise financeira da Oi. As duas agências consideram que, sem uma saída satisfatória, o caso continuará afetando a imagem do Brasil.

“Enquanto não houver uma solução positiva para a Recuperação Judicial da Oi que seja aceitável pelos credores, este caso continuará a ter um impacto negativo sobre o apetite e avaliação de riscos dos financiadores e garantidores internacionais em relação aos tomadores de crédito brasileiros”, relata o documento em sua conclusão.

O problema, na visão das agências, é que os acionistas buscam aumentar o valor das ações em condições “injustas” para os credores. Elas defendem, no documento, que os credores tenham prioridade em relação aos acionistas. “Dada a falta de engajamento da Oi […], o novo plano a ser apresentado, não irá incluir qualquer contribuição dos maiores credores”.

Na opinião das instituições estrangeiras, a postura dos atuais acionistas “resultará em um plano de recuperação judicial que não assegura a viabilidade das operações da Oi a longo prazo”. Por conta disso, a carta manifesta desejo de que o esforço atual para equacionar a dívida não prospere.

“A nossa expectativa é de que o novo plano será rejeitado pelos credores, tendo em vista que, muito provavelmente, só atenderá aos interesses dos atuais acionistas (mantendo sua participação no capital da Companhia)”, ressalta.

Trecho da carta endereçada ao primeiro escalão do governo faz duras críticas à administração da prestadora. “A Oi não se mostrou imbuída de boa-fé nem se envolveu em quaisquer negociações significativas com seus maiores credores”, acusam.

As agências europeias informaram ter emprestado, cada uma, US$ 500 milhões. As duas instituições enviaram mensagens idênticas para os mesmos destinatários no governo.

Escreve em nome da agência de crédito belga, a Credendo (Export Credit Agency) que intermediou a concessão de “inúmeros financiamentos” para Oi entre 2010 e 2013. O documento é assinado pelo presidente executivo do grupo, Frank Vanwingh.

A agência finlandesa é representada pela Finnvera, que também intermediou a concessão de financiamentos para a operadora brasileira, mas por um período maior, de 2008 a 2013. Neste caso, a carta foi assinada pelo presidente executivo, Topi Vesteri, e pelo vice-presidente executivo, Jussi Haarasilta.

Procurado pela reportagem, o ministro Kassab afirmou que o esforço do presidente Michel Temer de criar uma “força-tarefa” é para não deixar que os interesses dos acionistas prevaleçam sobre o propósito de manter as operações de longo prazo da prestadora.

“Nessa fase, em que as ações do governo ficam centralizadas na AGU [Advocacia-Geral da União], a prioridade continua sendo a recuperação da companhia, mantendo afastada qualquer generosidade demasiada. É por essa razão que, em nenhum momento, a intervenção será descartada”, disse.

 

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