Banco de dados une Oracle e Oi

Por Valor Econômico

Companhias que lidam com grandes volumes de dados dos clientes – como bancos, seguradoras e operadoras de telecomunicações – enfrentam um dilema particular na era da computação em nuvem. Muitas delas ainda resistem em transferir informações sensíveis para os centros de dados dos grandes prestadores de serviços porque preferem que as instalações estejam fisicamente perto de seus escritórios.

A alternativa é criar e administrar instalações próprias, o que significa despesas maiores e mais complexidade tecnológica. Para tentar combinar as virtudes dos dois modelos, e reduzir suas desvantagens, a Oracle e a Oi fecharam um acordo de cinco anos que prevê um formato de nuvem híbrida. As operações continuarão sendo processadas nos centros de dados da companhia brasileira, mas a tecnologia será modernizada pela fornecedora americana de software, que também vai administrar a infraestrutura.

Com o acordo, serão consolidados centenas de bancos de dados em um único sistema de nuvem dentro do espaço físico da Oi. “O cliente vê tudo em casa, o que garante essa percepção de controle, mas quem administra [as operações] somos nós”, diz Luiz Meisler, vice-presidente executivo da Oracle para a América Latina. Uma das principais novidades é o uso de inteligência artificial.

Com a tecnologia, as equipes responsáveis pelo gerenciamento dos sistemas podem se dedicar a tarefas mais sofisticadas, afirma Meisler, porque as atividades básicas passam ser feitas de maneira autônoma, sem intervenção humana. Isso tem reflexos na área de segurança, um dos motivos mais citados pelas companhias que preferem manter seus próprios centros de dados.

“Muitas fraudes acontecem porque as empresas não aplicam os ‘patches’ necessários”, afirma o vicepresidente da Oracle. “Patches” são programas que atualizam ou corrigem falhas em um sistema, como se fossem pequenos remendos. Para não interromper um trabalho importante, como o de transferências bancárias ou folha de pagamento, o responsável acaba deixando o remendo para depois. Nesse intervalo, a infraestrutura fica vulnerável. Com o sistema autônomo, os “patches” são aplicados sem a interrupção do trabalho.

“Não é preciso esperar o ok de ninguém”, diz Meisler. Com atuação em 5,5 mil municípios, a Oi conta com seis centros de dados próprios. “São centenas de sistemas de informação”, diz Gustavo Brambila, diretor de infraestrutura da operadora. Um dos objetivos é reduzir custos com espaço físico nos centros de dados, “que é bastante caro”, afirma o executivo.

A atualização vai proporcionar que menos servidores – os computadores responsáveis pelo tráfego na rede – abriguem mais bancos de dados, o que diminui a necessidade de espaço. “Todo o ganho é redirecionado para a operação, o que cria um círculo virtuoso, com custo de investimento mais baixo”, diz Brambila. Em junho de 2016, a Oi entrou com um pedido de recuperação judicial.

Em janeiro deste ano, concluiu operação para aumentar seu capital em R$ 4 bilhões, como parte do plano aprovado pelos credores no fim de 2017. A empresa não revela o valor do acordo com a Oracle, nem detalhes do negócio.

A competição pelos serviços de centros de dados é cada vez mais acirrado no Brasil. Grandes concorrentes internacionais, como AWS – braço de infraestrutura da Amazon – e Microsoft disputam o segmento no país. Para reforçar sua posição, a Oracle está modernizando seu centro de dados, que fica no Estado de São Paulo. A previsão é de concluir os trabalhos de atualização tecnológica entre agosto e setembro.

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