Por Economia Uol

(Bloomberg) — Quem visitar um dos shoppings mais sofisticados de Nova Jersey, nos Estados Unidos, poderá conferir o novo visual pós-recuperação judicial da Toys ‘R’ Us bem a tempo para a temporada de festas.

A problemática rede de brinquedos inaugurou uma loja no Garden State Plaza, em Paramus, na quarta-feira, ressurgindo após entrar em recuperação judicial há mais de um ano. É a primeira de 10 novas unidades com previsão de funcionamento até o fim de 2020.

Em vez dos corredores imponentes das lojas antigas, as novas unidades têm prateleiras da altura de crianças em espaços especializados e abastecidos por marcas de brinquedos como Paw Patrol, Nerf e Nintendo. Cerca de 1.500 itens estarão disponíveis no local; outros produtos podem ser pedidos através de telas sensíveis ao toque na loja e vendidos on-line pela varejista Target.

O declínio da Toys “R” Us, mergulhada em dívidas, foi um grande golpe para o setor de brinquedos. A rede, que registrava mais de US$ 7 bilhões em vendas anuais nos EUA em mais de 700 lojas antes de entrar em recuperação judicial em 2017, foi um campo de testes fundamental para brinquedos novos e inovadores e fornecedores de pequeno porte.

Será uma batalha difícil para recuperar o antigo domínio. Durante a temporada de Natal do ano passado, a primeira sem a presença da Toys “R” Us nos EUA em décadas, varejistas rivais ganharam participação de mercado. O Walmart, por exemplo, realizou milhares de eventos em lojas onde crianças podiam testar itens, enquanto a varejista online Amazon.com imprimiu um catálogo de brinquedos. Grandes varejistas continuaram a expansão no segmento de brinquedos este ano: a Target investiu em 25 lojas mini-Disney que capitalizarão os próximos lançamentos de filmes como “Star Wars” e “Frozen”.

“Existe uma demanda reprimida para saber como será a nova experiência da Toys ‘R’ Us”, disse Richard Barry, presidente da Tru Kids, controladora da Toys “R” US, em entrevista.

A segunda loja da rede será aberta no shopping Galleria, em Houston, na semana que vem.

Por Money Times

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu ganho de causa ao Grupo J. Pupin em julgamento concluído nesta terça-feira e definiu que dívidas contraídas pela empresa agrícola antes de entrar com um pedido de recuperação judicial — quando era pessoa física — poderão sim integrar o processo de recuperação judicial da companhia.

Na semana passada, reportagem da Reuters com base em estudo da MB Associados mostrou que uma vitória da tese do grupo poderia influenciar as decisões de financiamento ao agronegócio e levar a mudanças no sistema atual, deixando-o mais criterioso, restritivo e até com maior custo.

Por 3 votos a 2, os ministros da Quarta Turma entenderam que a natureza jurídica do registro de uma empresa na Junta Comercial é declaratório, bastando a comprovação do efetivo exercício da atividade empresarial, e que, para fins práticos, é obrigatório se fazer a inclusão na RJ de todos débitos e créditos, mesmo aqueles anteriores ao registro.

A advogada Camila Somadossi, do escritório Finocchio & Ustra, que atua pelo Grupo J. Pupin, considerou positiva a decisão da turma do STJ, que segundo ela traz segurança jurídica ao produtor rural.

“É muito bom para o produtor rural, que agora vai poder usar uma ferramenta que todos os empresários usam”, disse.

A advogada qualificou como “grande falácia” o argumento de que a decisão poderia levar a redução do crédito e elevação da taxa de juros.

Ela afirmou que tanto o crédito rural quanto as demais modalidades só são concedidos mediante o cumprimento de uma série de garantias e defendeu que houve uma tentativa de se manter um setor relevante para a economia do país de fora da abrangência da RJ.

“Não acredito que o setor vá ser impactado”, disse Camila.

Segundo ela, com a decisão do STJ, as dívidas do grupo voltarão a ficar sob a batuta do plano de recuperação, a cargo de um juiz, suspendendo as ordens de execuções que a empresa enfrentava.

Contudo, o advogado Antonio Carlos de Oliveira Freitas, sócio do Luchesi Advogados, especializado em Recuperação Judicial e de Créditos no Agronegócio, afirmou que o entendimento firmado pela turma do STJ “viola os princípios da boa-fé contratual e da segurança jurídica”.

“Além disso, contrariamente ao apontado no julgamento por alguns ministros, o impacto na concessão dos créditos do agronegócio será significativo e afetará todos aqueles que financiam o setor. Não apenas os bancos são atingidos… defender isso é não conhecer como se dá o financiamento do complexo agroindustrial”, disse, em nota.

Procurada, a associação Abiove, que representa as tradings e a indústria processadora de soja, disse que acompanha a discussão sobre o tema e ressaltou entender que a decisão do STJ não interfere em outros julgamentos em curso.

“A Abiove segue trabalhando para propor um alternativa que assegure ao produtor a possibilidade de recuperação creditícia sem aprofundar a insegurança jurídica que já existe para os fomentadores”, afirmou, em nota.

Por Investimentos e Notícias

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais, os pedidos de recuperação judicial em outubro de 2019 registraram crescimento de 16% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Foram 124 solicitações, ante 107 realizadas em 2018. No comparativo com setembro/19, o aumento foi de 32%. Estas variações se devem às micro e pequenas empresas de Serviços – confira nos gráficos.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, “em um cenário de alto desemprego, muitas pessoas abrem micro e pequenas empresas para gerar renda, o chamado empreendedorismo por necessidade, porém não conseguem manter o negócio sustentável. Passado um tempo, com dívidas acumuladas, muitos pedem a recuperação judicial para tentar salvar o negócio”.

Apesar da alta, o índice teve uma queda de 2,1% no acumulado de janeiro a outubro deste ano (1.154 pedidos), quando comparado com os mesmos dez meses de 2018 (1.179 pedidos).

Requerimentos de falências crescem no acumulado do ano

As solicitações de falências cresceram 2,1% no comparativo entre outubro de 2018 e 2019, chegando a 143 no décimo mês deste ano. Este é o terceiro maior volume do ano, atrás de julho (171) e maio (163). O aumento na variação mensal, com relação a setembro/19, foi de 13,5%.

Os micro e pequenos empreendimentos também tiveram destaque nas falências, representando a maioria das requisições em outubro/19 (81), seguido pelas médias (36) e grandes empresas (26). Na análise por segmentos, Serviços teve 61 pedidos, seguido pelo Comércio (48) e Indústria (32).