Por O Regional

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) aprovou na última quinta-feira (23), um plano de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas. O valor seria em torno de US$ 760 milhões com os credores, conforme informações do site Brasil Agro que tem base entrevista do Broadcast Agro. A quantia seria para pagamento dos credores de ‘bonds’ emitidos pela companhia, além de dívidas de pré-pagamento de exportações.
A assembleia extraordinária foi realizada na manhã de quinta-feira, quando acionistas da empresa, que tem quatro usinas, uma delas inclusive em Ariranha, avaliaram a proposta. Só ficou de fora o empresário Hermelindo Ruete, que preferiu não votar, de acordo com a empresa.
O acordo, que foi previamente negociado com um grupo significativo de credores contempla a reestruturação do passivo em dez anos, com carência de três anos. O relato foi do diretor presidente do GVO, Joamir Alves. “Serão emitidos novos títulos e realizados novos acordos de pré-pagamento de exportação. A reestruturação envolve boa parte da dívida da companhia com esses papéis, um total de US$ 835 milhões”, consta na publicação do site Brasil Agro.
Além dessa renegociação, o plano de recuperação extrajudicial inclui como garantias de que os valores serão pagos, a alienação fiduciária das ações da companhia no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a hipoteca da Usina Monções, que fica na cidade que leva o mesmo nome da usina. Para se ter uma ideia, as quatro usinas da companhia estão processando cana-de-açúcar e a expectativa é que a moagem chegue a 6,5 milhões de toneladas na atual safra que só termina no ano que vem.

Por Estadão

BRASÍLIA – Integrantes do Judiciário preparam um pacote de medidas para agilizar o processo de recuperação judicial de empresas no País, considerado hoje excessivamente moroso. Em média, em São Paulo, são 567 dias (cerca de um ano e meio) entre a Justiça aceitar o pedido de recuperação de uma empresa e apreciar o plano de reestruturação por ela apresentado – aprovando-o ou rejeitando-o. Esse prazo deveria ser de, no máximo, 180 dias, segundo a lei atual.

Na avaliação do Judiciário, essa demora coloca em risco a sobrevivência da empresa. Quando está em situação financeira difícil e não consegue mais honrar seus pagamentos, uma companhia pode requerer a recuperação, que é uma proteção dada a ela pela Justiça contra a execução de suas dívidas.

A ideia é que a empresa possa ganhar tempo para apresentar um plano de reestruturação e renegociar seus débitos com credores. Em geral, quando chega nesse ponto, a companhia já está com pouco dinheiro em caixa e com problemas para tocar suas atividades. Por isso, se o processo levar muito tempo, a empresa pode acabar quebrando antes de concluir a recuperação judicial, dizem especialistas.

O pacote de medidas em gestação pelo Judiciário tenta dar uma resposta à morosidade do processo. Liderado pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão, o grupo criado no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai propor, entre outras medidas, a criação de varas regionais especializadas para processar as recuperações judiciais.

Nessas varas, o tempo médio até a aprovação do plano de recuperação é de 407 dias, ainda longe dos 180 dias previstos na legislação, mas menor que os 567 dias verificados em médias nas varas comuns, segundo estudo realizado pela Associação Brasileira de Jurimetria e pelo Núcleo de Estudos de Processos de Insolvência da PUC-SP. A taxa de aprovação dos planos de recuperação também é maior quando eles são analisados nas especializadas: é de 81%, frente à taxa de 71,3% nas comuns.

Atualmente, há poucas varas especializadas no País. Uma delas é a 1.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais em São Paulo, que comanda o processo da companhia aérea Avianca Brasil, por exemplo.

A princípio, a comissão pretende dar um prazo de dois anos para que os Estados que preencherem os critérios de criação de novas varas se adaptem à resolução do CNJ.

 

 

Nova lei

O Brasil passou a contar com uma lei de recuperação judicial e falência em 2005. O instrumento se popularizou e, nos últimos anos, o País assistiu a casos bilionários de recuperação judicial, como o da OGX, petroleira de Eike Batista, da telefônica Oi e da empresa de aluguel de sondas Sete Brasil.

Vários gargalos, no entanto, foram sendo percebidos durante os 14 anos da vigência da legislação e passaram a ser alvo de críticas de empresas e de advogados especializados no tema. No ano passado, o governo Michel Temer chegou a mandar ao Congresso um projeto de lei com mudanças na legislação. A medida era defendida pelo então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como forma de ajudar na recuperação da economia. A proposta, porém, não caminhou no Congresso.

O governo Jair Bolsonaro também entende que a revisão nas regras é necessária. Segundo o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, já há um “diálogo intenso” com o Congresso para que mudanças sejam feitas ainda neste ano. Ele não detalhou, porém, qual será o teor desse novo projeto.

Alguns dos problemas podem ser resolvidos com a atuação do CNJ, sem necessidade de decisões do Parlamento, avaliou Salomão ao Estadão/Broadcast. Por isso, o CNJ criou a comissão em dezembro passado. Ela é formada também por integrantes do Tribunal Superior do Trabalho (TST), desembargadores dos Tribunais de Justiça de São Paulo e Rio de Janeiro e advogados.

Documentação

Além de criar varas especializadas, o grupo vai padronizar iniciativas que não estão previstas na lei de recuperação, como a verificação prévia e a mediação. A verificação prévia é usada para constatar se a documentação da empresa está correta e se ela tem capacidade de gerar os benefícios previstos na lei de recuperação, podendo captar tentativas de fraude contra credores.

O ato do CNJ serviria para uniformizar como a verificação deve ser feita entre os magistrados que optem por utilizá-la, não tendo o condão de obrigá-los a adotar a prática.

“Vai ter mais previsibilidade e os credores saberão como funciona”, disse Daniel Costa Carnio, juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça.

Segundo o magistrado, a padronização pelo CNJ trará também um limite de cinco dias para a realização da perícia, o que impede que a medida se prolongue além do razoável, atrasando os planos da empresa.

O estudo feito pela ABJ aponta que a prática aumenta as chances de um processo de recuperação ser aceito pelo juiz. Nos casos sem verificação prévia, o número foi de 63%, frente aos 81,7% em processos em que a prática foi adotada.

Há, no entanto, críticas à iniciativa. A advogada especializada em direito empresarial do escritório Martorelli, Fabiana Nunes, entende que a intenção do CNJ é boa, mas acredita que uma padronização teria de ser feita via alteração legislativa.

Mediação

O CNJ quer estimular ainda o uso da mediação, que foi usada no processo de recuperação da Oi. Na mediação, uma terceira pessoa atua para resolver impasses entre os credores e a empresa devedora. No caso da Oi, o recurso foi utilizado em várias etapas, como na relação com os pequenos credores e até mesmo em discussões entre os acionistas, explicou a advogada Samantha M. Longo, do escritório Wald, Antunes, Vita, Longo e Blattner Advogados, que atuou no processo da operadora de telefonia.

Assim como a verificação prévia, a mediação não está prevista atualmente na lei de recuperação judicial e falência. Por conta disso, o texto que a comissão do CNJ pretende aprovar deve ter um caráter somente de recomendação, e os juízes não serão obrigados a segui-la.

Por GC Notícias

Os produtores rurais do município de Cláudia, Alessandro e Alessandra Nicoli, estão autorizados e continuar com o processo de recuperação judicial do seu negócio – quando uma empresa pede retaguarda do judiciário para não falir. A permissão foi expedida, através de liminar, pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Marco Aurelio Bellizze, publicada na tarde de ontem (22).

A liminar ministerial suspende a decisão anterior, proferida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso que impedia a recuperação judicial dos produtores rurais. A decisão, inovadora, reforça a tese de que produtor rural não precisa de registro em Junta Comercial de dois anos para confirmar atuação como empresa.

O processo havia sido suspenso depois que a credora Louis Dreyfus Company do Brasil pediu a suspensão do processo de recuperação, via TJMT, após 9 dias do deferimento pela 2º Vara Civel da Comarca de Sinop.

Com a decisão do STJ o processo de recuperação judicial, volta a tomar curso com as negociações coletivas com seus credores.

Na liminar o juiz entende que “sustentam em síntese, que a pessoa física que explora nacional e economicamente o imóvel rural, como ocorre no caso, já são definidos como empresas rurais regulares, não se lhes exigindo outra forma de verificação desta condição. Nesse contexto, consideram-se legitimados para ingressar com pedido de recuperação judicial”.

Segundo o ministro “no seu entender, o que a lei estabelece como conceito jurídico para a comprovação da atividade rural é a prova da exploração econômica do imóvel … detectada em perícia prévia realizada antes do deferimento da recuperação.”

De acordo com o advogado do processo, Allison Giuliano Franco e Sousa, da ERS Advocacia, a decisão cria um novo ambiente de negociação com credores. “Com a decisão a empresa se mantém como fonte produtora de recursos e mantém os empregos que gera. Mesmo com este cenário de crise generalizada que passa o agronegócio no país”, explicou.

Para Franco e Sousa a decisão provoca a debate amplo sobre o problema do “superendividamento no agro do Brasil”. “O momento de arrumarmos a casa é agora, a lei existe para criar um sistema que permita a franca negociação entre todos envolvidos”, argumentou o advogado.

 

Por Folha Uol

A Avianca Brasil enviou a Justiça na noite desta terça-feira (21) documento em que afirma que a proposta da Azul para a compra de seus ativos é juridicamente inviável. A companhia está em recuperação judicial desde dezembro de 2018 e não tem pago salários aos funcionários.

“Não há como validamente alienar a maioria dos ativos (…) via UPI [Unidade Produtiva Isolada] sem a existência de um plano de recuperação judicial apreciado e aprovado pelos credores, requisito imprescindível a celebração de um negócio (…) capaz de manter a transação definitivamente válida”, afirma o documento. A empresa diz que pretende manter as operações, ainda que em tamanho reduzido e que o plano proposto pela Azul inclui horários de partida e chegada da ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, “um dos trechos mais rentáveis para o transporte aéreo de passageiros no país, (…) que seriam importantes para a Avianca.”

A Avianca pediu, ainda, que o juiz responsável pelo caso se manifeste sobre o tema e que intime credores e investidores interessados para “dar o mais urgente andamento” à recuperação judicial.

A Azul ofereceu US$ 145 milhões por uma nova UPI com slots (autorizações de pousos e decolagens) da Avianca. A oferta originalmente aprovada pelos credores foi elaborada pelo fundo Elliott e pelas companhias aéreas Gol e Latam. O plano previa o fatiamento dos slots da Avianca em sete UPIs, que iriam a leilão no dia 7 de maio.

Gol e Latam se comprometeram a oferecer ao menos US$ 70 milhões por uma unidade cada. O certame, contudo, foi suspenso pelo desembargador Ricardo Negrão, do Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido da Swissport, a quem a Avianca deve R$ 17 milhões. A credora busca anular o plano de recuperação judicial aprovado.

Alega que a oferta de Elliott, Gol e Latam apresenta conflito de interesses porque envolveu pagamentos antecipados das aéreas ao fundo. Também afirma que é ilegal vender os slots porque não são ativos da Avianca, mas sim concessões. O Tribunal de Justiça da São Paulo deverá julgar a legalidade do pregão em 10 de junho.

Procurada, a Azul afirma que entende que a Avianca Brasil “declara que não há preferência por parte dela a nenhum comprador de seus ativos, mas sim, que seu interesse é em buscar uma solução que permita o maior índice de recuperação”. Para a empresa, a aérea não deixa claro que se opõe ao novo plano apresentado pela Azul, mas sim que espera “pronunciamento do juiz para solucionar o caso.”

Por DCI

Os pedidos de falência cresceram 8,3% em abril de 2019 na comparação com igual período do ano passado, totalizando 131 ocorrências, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais.

Na variação mensal dos pedidos de falência, o aumento chegou a 47,2% em relação a março deste ano. As micros, pequenas e médias empresas ocuparam novamente a dianteira do indicador do quarto mês de 2019, com 70 pedidos de falência, seguidas pelas grandes (32) e médias (29) empresas.

Durante o primeiro quadrimestre deste ano, o número de pedidos de falência totalizou 417 requerimentos, o mesmo valor entre janeiro e abril de 2018. No período, as micro e pequenas permaneceram no topo com 212 falências requeridas, as médias om 113 e as grandes com 92 na sequência. /Agências

Por Estadão

LONDRES – A cadeia de restaurantes do chef britânico Jamie Oliver decretou recuperação judicial nesta terça-feira, 21, ameaçando empregos nos 25 estabelecimentos da rede no Reino Unido.

Oliver, de 43 anos, que se tornou uma figura internacionalmente conhecida devido a seus programas culinários na TV, fundou sua marca Jamie’s Italian em 2008.

“Estou profundamente entristecido por esse desfecho e gostaria de agradecer a toda a equipe e a nossos fornecedores que colocaram seus corações e suas almas neste empreendimento por mais de uma década”, disse ele em um comunicado. “Eu compreendo o quão difícil isso é para todos os afetados.”

Mais de mil postos de trabalho estão em risco pela recuperação judicial, uma forma de proteção dos credores. O Jamie Oliver Group informou que apontou Will Wright e Mark Orton, da KPMG, como administradores.

Oliver, que foi descoberto pela BBC enquanto trabalhava como chef no River Café em Londres, ganhou fama com o programa “Naked Chef”, transmitido em diversos países.

Ele utilizou sua reputação para pressionar políticos a combaterem o aumento de problemas relacionados à obesidade infantil ao defender refeições escolares mais saudáveis.

A cadeia de restaurantes de Oliver é a vítima mais recente de um cenário comercial complicado em Londres.

Em março, o Boparan Restaurant Group (BRG) informou que planejava encerrar as atividades de mais de um terço de suas lanchonetes Ed’s Easy Diner e Giraffe, enquanto Carluccio’s, Prezzo, Strada e Gourmet Burger Kitchen fecharam estabelecimentos em 2018.

Por Folha Uol

Depois de atrasar o pagamento de salários, benefícios e rescisõesde funcionários, a Avianca Brasil iniciou na última segunda-feira (13) um processo de demissões em massa de tripulantes, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas.

A companhia, que está em recuperação judicial, demitiu ao menos 900 pessoas desde então, de acordo com a entidade. Ao menos 300 foram desligados nesta quinta-feira (16).

“A empresa se desmanchou. Separou uma pequena sala de 30 m² para fazer as demissões. Tivemos de alugar um espaço com verba do sindicato para viabilizar [o atendimento aos demitidos]”, diz Ondino Dutra, presidente do sindicato.

Além dos pilotos e comissários demitidos, há 200 profissionais que pediram licença não remunerada e cerca de 1.200 que aderiram a um plano de demissão voluntária da Avianca, segundo ele. Com os cortes, ficaram na companhia cerca de 700 tripulantes, afirma Dutra.

A categoria entrará em greve a partir desta sexta-feira (17), mas precisará manter 60% das operações por determinação da Justiça. O número de demitidos pode ser maior porque não inclui os aeroviários, que atuam no solo.

Segundo Reginaldo Mandú, presidente do sindicato da categoria, há relatos de dispensas, mas a aérea não informou a entidade o número. Em grupos de Whatsapp formados por centenas de funcionários da empresa, aeroviários relatam dezenas de demitidos e se queixam da falta de informação e dos atrasos de salários.

Muitos têm abandonado os cargos mesmo sob ameaça de demissão por justa causa. Procurada, a Avianca não se manifestou até a conclusão deste texto

Por Istoé

A incorporadora PDG Realty, em recuperação judicial, informou que está finalizando o planejamento estratégico de curto e médio prazos, iniciado no fim de 2018.

“Neste trabalho, além de planejarmos o retorno dos lançamentos, estamos buscando identificar novas oportunidades que permitam à PDG diversificar seus produtos e serviços, gerando receitas recorrentes adicionais para fortalecer o caixa”, explicou o diretor-presidente, Vladimir Ranevsky, durante teleconferência com investidores e analistas.

Ranevsky disse que, em paralelo, a companhia continua focada na redução das despesas gerais e administrativas. O número de funcionários da PDG foi cortado de 10.752, no auge das atividades, em 2012, para 212 no início de 2019.

Ele acrescentou que a incorporadora também seguirá buscando escoar o estoque, que soma 4.570 unidades, avaliadas em R$ 1,8 bilhão. Desse total, 29% são imóveis prontos, 8% têm entrega prevista para 2019, 36% para 2020 e 27% após 2020. A companhia ainda tem obras paralisadas devido à falta de recursos.

Endividamento

Em recuperação judicial desde 2017, a PDG mantém o desafio de quitar dívidas volumosas.

O saldo da dívida concursal (inserida no processo de recuperação) era de R$ 759 milhões no fim do primeiro trimestre de 2019. Com o plano de recuperação aprovado no fim de 2017, a companhia reduziu sua dívida de R$ 4,627 bilhões para R$ 838 milhões por meio de descontos nos valores e renegociação com credores.

Nos primeiros três meses do ano, a PDG amortizou R$ 256 milhões em dívidas concursais, considerando o aumento de capital, o pagamento aos credores e a entrega de imóveis. Segundo Ranevsky, esse valor deve crescer nos próximos meses, com a continuidade das amortizações.

Já a dívida extraconcursal (que ficou de fora das renegociações dentro do processo de recuperação judicial) totalizou R$ 2,820 bilhões em termos brutos no fim do primeiro trimestre de 2019, alta de 2% em relação ao fim do quarto trimestre de 2018. Nesse período, as disponibilidades do caixa permaneceram estáveis em R$ 138 milhões. Com isso, a dívida líquida subiu 2%, para R$ 2,682 bilhões.

A PDG tem R$ 771 milhões a receber decorrentes das vendas e R$ 815 milhões de custos a incorrer com obras.

Por Globo

SÃO PAULO – A delicada situação financeira da Avianca , que desde dezembro está em recuperação judicial e já cancelou mais de dois mil voos, aumentou a demanda por passagens dos concorrentes — e também os preços. A avaliação é do presidente da operação brasileira da Latam, Jerome Cadier. Para o executivo, os preços acima do normal podem vigorar por até seis meses, até as demais companhias aéreas conseguirem autorização para suprir a demanda. Na entrevista, Cadier detalha os planos da Latam para o leilão de ativos da Avianca , marcado para 7 de maio.

As passagens aéreas estão mais caras. Há quem diga que o encolhimento da Avianca é a causa disso. Concorda?

Os preços estão mais altos. O aumento, no entanto, não tem a ver com concentração. Há menos aviões circulando no Brasil. A Avianca tinha cerca de 50 aeronaves no início do ano. Hoje, opera com sete. É uma queda grande.

Daria para segurar os preços mesmo com a crise na oferta?

– O modelo de precificação das companhias aéreas faz a seguinte comparação: 15 dias antes de um voo, quantos assentos estão vendidos? Se está muito cheio, o preço sobe. Se está vazio, o preço permanece baixo. Se temos menos assentos à disposição porque há menos aviões voando no Brasil, o sistema entende que os voos estão mais cheios que a média. Por isso, o preço sobe. Até os aviões voltarem a operar no Brasil, a gente vai ter tarifa mais alta.

O aumento das tarifas é maior em alguma rota?

– Nas rotas em que a Avianca não operava os preços não mudaram porque a oferta de assentos continuou igual. O efeito foi sentido em rotas em que ela era muito relevante, como em Guarulhos, Congonhas, Santos Dumont e Brasília.

Por quanto tempo os preços vão seguir elevados?

– Até conseguir trazer um número parecido com 43 aviões ao mercado brasileiro, teremos no mínimo quatro a seis meses de preços mais altos. Desde a crise da Varig, em 2004 e 2005, não vemos um momento tão importante na aviação brasileira. A quebra de uma companhia como a Avianca não consegue ser absorvida rapidamente pelas concorrentes. É óbvio que a gente quer transportar mais passageiros e que a tarifas mais baixas atraem mais passageiros. Por outro lado, no ano passado os custos de operação das aéreas subiram 25% no país, entre valorização do dólar e o aumento no preço do combustível. As tarifas subiram só 1%. Isso explica os problemas da Avianca. A gente precisa saber disso para saber que absorver uma crise desse tamanho não é algo rápido.

Por que a crise vai ser longa?

– As concorrentes querem suprir a demanda deixada pela Avianca, mas isso demora. Estamos remanejando aviões da Latam em outros países para o Brasil, mas isso depende de mudanças de contratos com as empresas de leasing e assinar toda a papelada para que esses aviões tenham autorização de voar aqui.

A Latam já definiu o tamanho dessa nova frota?

– Ainda não. Queremos ter o máximo possível, mas isso depende da disponibilidade de aviões no mercado e da segurança jurídica do leilão (de ativos da Avianca). Não vou trazer avião para rotas em que a Avianca não operava.

Quais ativos da Avianca interessam à Latam?

– A gente não vai comprar todas as UPIs (Unidades Produtivas Isoladas, fatias da empresa que serão ofertadas em leilão). A que mais interessa é a UPI B (com 22 slots, que são autorizações de pouso e decolagem, em Guarulhos, 15 em Congonhas e oito no Santos Dumont), que combinam com as rotas que já operamos.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente da Azul disse que Latam e Gol vão participar do leilão da Avianca para barrar a presença da Azul em Congonhas. O que o senhor pensa das declarações?

– É um discurso pouco aderente à realidade. A Azul está livre para participar de qualquer leilão. Ela pode muito bem levar todas as UPIs. Dizer que falta concorrência no espaço aéreo brasileiro é uma narrativa falsa.

Por Automotive Business

No fim da quarta-feira, 24, a Justiça aceitou o plano de recuperação judicial da Sabó, uma das tradicionais fabricantes brasileiras de autopeças (retentores, juntas e sistemas integrados de vedação), com 77 anos recém-completados, que resistiu ao movimento de compras por multinacionais do setor no fim dos anos 1990 – muito pelo contrário, foi às compras no exterior e tornou-se ela uma multinacional. A empresa ainda não divulgou nenhum comunicado oficial sobre seu programa de recuperação, mas segundo fontes relataram o motivo do pedido é para renegociar dívidas e dessa forma reduzir a carga de jurosque vêm sendo pagos.

Representantes da Sabó passaram a semana visitando alguns dos principais clientes da indústria, como GM, Volkswagen e Mercedes-Benz, para informar sobre o plano de recuperação judicial e assegurar que todos os pedidos serão atendidos normalmente. Ainda segundo fontes ouvidas por Automotive Business, a empresa atualmente não tem nenhum problema de produção, qualidade ou atraso nas entregas.

Do faturamento anual na casa dos R$ 500 milhões, incluindo operações no Brasil e negócios internacionais, 60% vêm de componentes para reposição vendidos no aftermarket e 40% são vendas diretas às fabricantes de veículos e motores (OEM), sendo metade para exportação. Até o início desta década os porcentuais de fornecimento doméstico OEM, exportação e aftermarket eram equilibrados em 33% para cada segmento de negócio, mas a queda da produção de veículos no País (de 3,7 milhões de unidades em 2013 para 2,1 milhões em 2016) provocou a retração contínua do fornecimento doméstico OEM, redução das receitas e aumento do aftermarket.

A Sabó reduziu suas operações internacionais. No fim dos anos 1980, a empresa adquiriu a alemã Kako e expandiu os negócios com fábricas na Alemanha, Hungria, Áustria, Estados Unidos e China. Mas em 2014 vendeu o controle ao grupo chinês ZhonDing e permaneceu com 20% de participação.

Graças a investimentos feitos em desenvolvimento tecnológico para novos produtos e processos produtivos no Brasil, nos últimos anos a Sabó fechou importantes contratos de fornecimento para novos projetos de motores e caixas de câmbio no Brasil e no exterior. Contudo, os pedidos não foram suficientes para reduzir a enorme capacidade ociosa em suas duas fábricas brasileiras, a mais antiga em São Paulo, no bairro da Lapa, e a moderna unidade de Mogi Mirim, cerca de 200 km distante da capital paulista, que há dois anos ganhou linhas automatizadas digitalizadas de produção, sob o conceito de indústria 4.0, mas que ainda opera com apenas metade de sua capacidade instalada de 330 mil peças/dia.

A partir da crise deflagrada em 2008, a Sabó reduziu o quadro de empregados no País de 4 mil para os atuais 1,1 mil. Desde então, vem aumentando seu endividamento e o peso dos juros para financiar investimentos e capital de giro. Com a queda nos volumes de fornecimento e faturamento até o ano passado, a carga de juros começou a desequilibrar o balanço e gerar prejuízos, o que a empresa espera recuperar agora com a proteção da recuperação judicial, que permitirá a renegociação de dívidas para recolocar as contas no azul.