Por Valor Econômico

O grupo Odebrecht se prepara para iniciar um processo amplo de reestruturação de suas dívidas, que somavam R$ 90 bilhões, em valores brutos ao fim de 2017. A discussão, contudo, será restrita aos grandes bancos nacionais e aos detentores de bônus garantidos pela construtora – o que representa cerca de R$ 40 bilhões.

O trabalho não afetará as controladas Braskem, o maior negócio atualmente, nem a Ocyan, nem as dívidas bancárias fora do Brasil. O plano inicial é realizar negociações privadas, preferencialmente sem recorrer a uma recuperação judicial – o que dependerá também do comportamento das próprias instituições nas conversas.

Do total devido, perto de R$ 30 bilhões são com grandes bancos brasileiros, já excluídos os vencimentos da companhia petroquímica, que tem uma vida operacional e financeira independente do grupo controlador. Não há nesse momento nenhum desenho já pronto sobre o resultado final esperado para essa renegociação.

O objetivo é que os compromissos sejam adaptados, em volume e condições, ao tamanho de cada negócio ao qual estão relacionados. Para auxiliar nesse plano, o grupo contratou a RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher. A assessoria financeira, especializada em reestruturação de companhias, atuará diretamente na controlada sucroalcooleira Atvos, que possui R$ 12 bilhões em dívidas, e na empresa de empreendimentos imobiliários OR, que tem R$ 2,9 bilhões em compromissos. A RK também atuará na holding Odebrecht S.A. (ODB) para coordenação das discussões, uma vez que a controladora concedeu avais e garantias a suas subsidiárias. A ODB deve instalar nesta semana um Comitê Financeiro para assessorar o conselho de administração no acompanhamento desses esforços, que será coordenado pelo novo integrante do colegiado João Nogueira Batista.

A holding também tem um novo diretor financeiro, Marco Rabello, que antes pertencia aos quadros da OEC. Com exceção da Braskem e da Ocyan, que teve sua dívida de US$ 5 bilhões já reestruturada, os demais negócios do grupo estão em default ou com bancos ou com fornecedores. Daí a necessidade de organizar os processos, em busca de “uma solução estruturante”, conforme o que o grupo tem dito aos bancos. Em 2017, a ODB teve receita bruta de R$ 82 bilhões, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 17 bilhões. Desde 2016, a ODB tem um programa de venda de ativos aberto, com meta de R$ 12 bilhões. Desse total, R$ 7,4 bilhões foram concluídos, com redução da dívida em cerca de R$ 10 bilhões. Os compromissos do grupo passavam de R$ 100 bilhões quando foi atingido pela Operação Lava-Jato. A holding está perto de fechar acordos para concluir a venda de Chaglla, no Peru, por US$ 1,4 bilhão, e da usina de Santo Antônio, que pode render, de imediato, R$ 1,3 bilhão.

Com a reestruturação, a companhia quer evitar consumir tudo que arrecada pagando dívidas bancárias apenas, como fez nos últimos anos. O objetivo é conseguir estar estruturada para o que espera ser um novo ciclo de crescimento do país.

O entendimento de pessoas próximas à Odebrecht é que o grupo decidiu que era o momento de dar foco às questões financeiras, após resolver os temas ligados à gestão e governança e aos acordos de leniência necessários à liberação, em especial, da OEC para contratação em novas obras. A discussão para renegociação da dívida de US$ 3 bilhões da construtora com títulos emitidos fora do Brasil, cuja largada foi dada na segunda-feira, ocorrerá de forma paralela às conversas com os bancos. Em maio, a Odebrecht sofreu críticas por consumir seu principal ativo, a Braskem, para obter R$ 2,6 bilhões em dinheiro novo para sanar dívidas de suas controladas.

No começo de 2018, o plano do grupo era obter R$ 3,1 bilhões em dinheiro novo. Fonte ligada à empresa afirma que o grupo não desistiu de buscar o volume total pretendido. BNDES, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander têm em garantia todas as ações da Braskem, detidas pela Odebrecht, desde 2016.

Após o acordo de maio com as instituições, pouco mais de R$ 12 bilhões são dívidas, dos mais variados negócios, garantidas com a petroquímica

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Biosev, companhia sucroalcooleira controlada pela Louis Dreyfus Company (LDC), contratou o Rabobank para vender mais usinas no Brasil, segundo informações da agência Reuters, citando uma fonte não identificadas.

Segundo essa fonte, quaisquer ativos poderiam ser vendidos, inclusive a Usina Vale do Rosário, em Morro Agudo (SP), a maior usina da companhia, com 6,5 milhões de toneladas de cana de capacidade de moagem por safra.

Ainda segundo a agência, outra fonte disse que um banco teria sido contratado para vender especificamente a Usina Santa Elisa, localizada em Sertãozinho (SP).

A unidade tem capacidade para processar 6,1 milhões de toneladas de cana por safra. A companhia vendeu nos últimos dois meses as duas usinas que tinha no Nordeste — a Usina Giasa e a Estivas —, levantando até o momento R$ 273,6 milhões.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Queiroz Galvão Óleo e Gás (QGOP) Constellation, que mudou o nome para Constellation Oil Services Holding, tenta uma negociação com os credores para reestruturar a dívida da empresa dentro de um processo de recuperação extrajudicial. Isso depende, no entanto, de um acordo com os detentores dos bônus, que têm dificultado essa saída para a empresa.

Se não chegar a um entendimento com esses investidores, o processo deverá caminhar para uma recuperação judicial. A solução deve sair nos próximos dias, já que em 10 de dezembro vence o período de carência para o pagamento de US$ 27 milhões em juros dos bônus com vencimento em 2024 e também de US$ 3 milhões em juros dos papéis para 2019, que deveriam ter sido pagos em 9 de novembro.

Segundo o Valor apurou, a companhia não tem caixa para esse pagamento, por isso a necessidade de renegociar a dívida com os credores. Para a recuperação extrajudicial acontecer, é preciso a aprovação de pelo menos 60% dos credores, o que a companhia ainda não conseguiu. A empresa, prestadora de serviços de perfuração de poços terrestres e marítimos e de operações de plataformas controlada pela família Queiroz Galvão, tinha uma dívida de US$ 1,7 bilhão, sendo cerca de US$ 700 milhões em bônus emitidos no exterior.

Do total da dívida, US$ 637 milhões são de curto prazo e a maior parte era referente a linhas bancárias para financiamento de projetos. Neste ano, a companhia já tinha pago com atraso, após o período de carência, os juros dos bônus para 2019 e 2024, que tiveram o rating rebaixado pela Fitch para “RD”, que indica “default restrito”. Em junho, o total dessas emissões no mercado era de US$ 96 milhões e US$ 595 milhões, respectivamente.

Desses papéis, apenas o vencimento para 2024 tinha como garantia as plataformas Olinda Star, Gold Star e Lone Star. Os credores bancários também contam com garantias. A dificuldade na negociação estava na resistência dos detentores dos bônus em aceitar o compartilhamento de garantias dadas nesses papéis com os demais credores. A companhia tem usado o período de 30 dias de carência para fazer os pagamento das obrigações referentes a esses papéis na tentativa de conseguir uma renegociação da dívida com os credores bancários e os detentores dos bônus.

No momento, estão sendo discutidas as garantias que poderiam ser oferecidas para os credores aceitarem estender a dívida, além da ordem dos credores com preferência no recebimento dos pagamentos. Enquanto não consegue chegar a um acordo de reestruturação da dívida, a companhia vem buscando rolar os pagamentos de curto prazo. No início de novembro, a empresa informou que sua subsidiária Constellation Overseas estendeu o vencimento da linha de US$ 150 milhões de capital de giro com o Bradesco, que vence nesta quinta.

A companhia ainda prorrogou para a mesma data o crédito relativo ao financiamento do navio sonda Amaralina Star com um grupo de bancos. Em relatório de junho, a Fitch destacou a dificuldade da empresa de recontratar suas plataformas de perfuração, cujos contratos com a Petrobras expiram em 2018.

Neste ano a empresa conseguiu fechar apenas um novo contrato. Isso provocou um descasamento de receitas com os vencimentos das dívidas, por isso, a empresa precisa reestruturar os débitos para ter uma folga no caixa.

Procurada, a empresa não quis comentar a negociação.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – O Hotéis Othon vai ajuizar nesta terça-feira (27) pedido de recuperação judicial, conforme comunicado divulgado pela empresa. A medida, segundo a companhia, foi tomada para a manutenção das operações em meio à crise do setor hoteleiro, além de permitir o prosseguimento do processo de reestruturação, preservar o valor e proteger o caixa.

Apesar dos esforços e dos avanços alcançados, ainda não foi possível encontrar, no âmbito extrajudicial, uma solução para a crise financeira, destacou a empresa no comunicado. O pedido de recuperação judicial será ratificado pelos acionistas em assembleia geral extraordinária.

Em outubro, a companhia, com sede no Rio, divulgou o fechamento das filiais em Salvador (BA) e em Belo Horizonte (MG). A empresa mantém hotéis próprios e administrados na cidade do Rio de Janeiro, São Paulo, Limeira (SP), Matão (SP), São Carlos (SP), Araraquara (SP), Fortaleza (CE), Natal (RN) e Recife (PE).

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – O juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho aceitou hoje o pedido de recuperação judicial da Saraiva, protocolado na sexta-feira na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A maior rede de livrarias do país acumulou uma dívida de quase R$ 675 milhões. A partir de hoje estão suspensas ações contra a Saraiva por 180 dias.

O juiz fixou em R$ 100 mil a remuneração mensal do administrador judicial, o escritório Lucon Advogados. O advogado Ronaldo Vasconcelos será o responsável. A varejista tem agora 60 dias para apresentar seu plano de pagamento aos credores. A companhia, antes de ir à Justiça, estava propondo às editoras de livros um deságio de 45% e dez anos para pagamento da dívida. Para conseguir aprovar o acordo extrajudicial, ela precisaria do aval de 60% dos credores.

Mas não conseguiu. A Saraiva havia iniciado negociações para um acordo extrajudicial, no fim de outubro, com cerca de 500 fornecedores, cerca de metade do que consta no pedido de recuperação judicial. Os três maiores credores da Saraiva são o Banco do Brasil — o único que detém garantia real de parte da dívida; o BNDES e a Infosys Tecnologia.

Juntos, eles têm créditos a receber de R$ 166 milhões. Formando o bloco dos 11 maiores credores, a Saraica informou ainda os seguintes credores: Editora Moderna (R$ 19,7 milhões), seguida de Editora Schwarcz (Cia das Letras), com R$ 18,6 milhões, Samsung (R$ 18,4 milhões), Distribuidora Record (R$ 18,2 milhões), Saraiva Educação (vendida à Somos Educação, com dívida de R$ 18 milhões), Gen-grupo Editorial (R$ 15,6 milhões), Sony Editora (R$ 14,6 milhões) e Editora Intrínseca (R$ 13,2 milhões).

A proteção contra os credores, conforme o despacho, destina-se a duas empresas: a Saraiva e Siciliano S.A. (CNPJ 61.365.284/0001-04) e a Saraiva S.A. Livreiros Editores ( CNPJ 60.500.139/0001-26).

Por Extra

Entra em vigor nesta sexta-feira, após 45 de sua sanção, a “Lei da Desburocratização”, que prevê, entre outros pontos, a dispensa de autenticação de cópias e a não-exigência de determinados documentos pessoais para o cidadão que tiver de lidar com órgãos do governo. A nova lei foi aprovada no início de setembro, pelo Senado, e seguiu para sanção do presidente Michel Temer. Em outubro, Temer sancionou a lei, mas deu prazo de 45 para sua aplicação.

Pela nova legislação, os órgãos públicos de todas as esferas administrativas não poderão exigir do cidadão o reconhecimento de firma, autenticação de cópia de documento, além de apresentação de certidão de nascimento, título de eleitor (exceto para votar ou registrar candidatura) e autorização com firma reconhecida para viagem de menor se os pais estiverem presentes no embarque.

A regra para o reconhecimento de firma, a partir de hoje, será a seguinte: o servidor público deverá comparar a assinatura do cidadão com a firma que consta em seu documento de identidade. Já no caso da dispensa da autenticação de cópia de documento, haverá apenas a comparação entre original e cópia, podendo o funcionário atestar a autenticidade. Já a apresentação da certidão de nascimento poderá ser substituída por cédula de identidade, título de eleitor, identidade expedida por conselho regional de fiscalização profissional, carteira de trabalho, certificado de prestação ou de isenção do serviço militar, passaporte ou identidade funcional expedida por órgão público.

Quando não for possível fazer a comprovação de regularidade da documentação — como em situações em que o documento está danificado —, o cidadão poderá apresentar uma declaração escrita atestando a veracidade das informações que estão sendo apresentadas. Em caso de declaração falsa, haverá sanções administrativas, civis e penais. Os órgãos públicos também não poderão exigir do cidadão a apresentação de certidão ou documento expedido por outro órgão ou entidade do mesmo poder, com exceção dos seguintes casos: certidão de antecedentes criminais, informações sobre pessoa jurídica e outras previstas expressamente em lei.

Além das regras direcionadas aos contribuintes, a nova lei apresenta mecanismos para racionalizar e simplificar atos e procedimentos administrativos dentro dos órgãos públicos. Será aberta a possibilidade para a adoção de grupos de trabalho com o objetivo de identificar exigências descabidas ou exageradas, ou procedimentos desnecessários, além de sugerir medidas legais ou regulamentares para eliminar o excesso de burocracia.

A lei também aponta para a criação do Selo de Desburocratização e Simplificação, destinado a reconhecer e a estimular projetos, programas e práticas que simplifiquem o funcionamento da administração pública e melhorem o atendimento aos usuários dos serviços públicos.

O selo será concedido por comissão formada por representantes da administração pública e da sociedade civil, com base em critérios de racionalização de processos e procedimentos administrativos, eliminação de formalidades desnecessárias, ganhos sociais, redução do tempo de espera no atendimento ao usuário, além de adoção de soluções tecnológicas ou organizacionais que possam ser replicadas em outras esferas da administração. Serão premiados, anualmente, dois órgãos ou entidades, em cada estado do país, selecionados com base nos critérios estabelecidos pela nova lei.

Por MSN

A Livraria Saraiva, rede de varejo líder em venda de livros no País, pediu recuperação judicial nesta sexta-feira, 23. Com dívida de R$ 674 milhões, a companhia é a segunda empresa do setor em pouco mais de um mês a pedir proteção da Justiça para reestruturar débitos e tentar seguir em operação. A Cultura está em recuperação judicial desde o mês passado.

As dificuldades da Saraiva ficaram evidentes no início deste ano, quando a companhia atrasou pagamentos às editoras de livros – suas principais fornecedoras. A companhia voltou a ter dificuldades nos últimos meses, e foi iniciado um novo período de negociações. Após não conseguir fechar acordo, a companhia decidiu pela recuperação judicial.

No pedido feito à Justiça, a Saraiva lembrou que vem tentando reestruturar o próprio negócio – processo que está sendo tocado em conjunto com a consultoria Galeazzi & Associados. Recentemente, a companhia encerrou as atividades de 19 pontos de venda, sendo oito lojas tradicionais e 8 unidades iTown, que vendiam produtos de tecnologia da marca Apple. Neste processo, cortou 700 funcionários.

Outra medida tomada pela Saraiva foi a saída de categorias em que a rentabilidade é mais baixa – como a venda de produtos de tecnologia, na qual precisa bater de frente com pesos pesados como a Via Varejo (dona de marcas como Casas Bahia e Ponto Frio) e FastShop. A entrada no segmento foi decidida há alguns anos, como uma tentativa de “proteção” à perspectiva de queda nas vendas de livros.

“Neste movimento (a saída da área de tecnologia), a Saraiva diminuirá substancialmente a geração de créditos tributários, uma das principais razões de consumo de caixa nos últimos anos”, diz a empresa, no documento da recuperação judicial. Para continuar a ofertar eletrônicos e itens de tecnologia nas lojas, a companhia deverá buscar uma parceria com uma rede especializada no setor, apurou o Estado.

Apesar de a venda de livros apresentar uma pequena alta em 2018 – de cerca de 5% em valores, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) –, a Saraiva lembrou que o preço do produto tem subido bem menos do que a inflação. Segundo a companhia, enquanto o IPCA – índice oficial de inflação – subiu 53,8% de 2000 a 2017, o valor unitário do livro avançou caiu 8%, na mesma comparação.

Outro segmento que já foi a segunda maior fonte de receitas para a Saraiva – música e filmes – foi bastante afetado por avanços tecnológicos, segundo a companhia, que cita no documento de pedido de recuperação a emergência de serviços como Netflix Spotifynessa área.

Hoje, a companhia se dedica somente à atividade de varejo. O pedido de recuperação lembra que a companhia vendeu seus ativos editoriais e de educação há três anos, por R$ 725 milhões. Após esse negócio e um período de enxugamento do varejo, o grupo hoje contabiliza cerca de 3 mil colaboradores, 85 lojas próprias e uma área de venda de quase 50 mil metros quadrados no País.

Fundada em 1947, a origem da Saraiva remonta, no entanto, a 1914, quando o livreiro Joaquim Ignácio da Fonseca Saraiva, um imigrante português, abriu uma pequeno sebo na rua do Ouvidor, em São Paulo, chamado Saraiva & Cia. A Saraiva é uma companhia aberta desde 1972. Em 2008, adquiriu a rival Siciliano.

Por Valor Econômico

Com dívidas que alcançam quase R$ 10 bilhões, o grupo de infraestrutura Queiroz Galvão decidiu separar em quatro grandes pacotes a reestruturação dos débitos com os credores, com quem negocia há meses uma saída para salvar a companhia.

As dívidas estão distribuídas sob os guarda-chuvas Queiroz Galvão Energia; Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário; Construtora Queiroz Galvão e concessões; e Move São Paulo. Conforme o Valor apurou, a negociação que está mais adiantada é a do braço de energia, cujas dívidas somam R$ 3,5 bilhões. O fundo de investimento americano Castlelake deve assumir a empresa.

Comprou os créditos do Santander, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e ING no valor de R$ 2,8 bilhões e negocia R$ 140 milhões detidos pelo Safra e BTG, além de um “waiver” do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para troca acionária. O banco estatal é credor do negócio de energia com R$ 700 milhões. Só quando fechar essas negociações o Castlelake poderá converter tudo em equity e levar a empresa.

A GE Capital, unidade de serviços financeiros da General Electric e também credora, deverá se juntar ao fundo. O negócio de energia da Queiroz Galvão é grande. São três usinas hidrelétricas no Mato Grosso, Minas Gerais e Santa Catarina, uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) e parques eólicos no Nordeste, com capacidade total de mil MW (megawatts). Há ainda uma comercializadora que faz a compra e venda de energia no atacado.

A Parceria Público-Privada (PPP) Move, responsável pela implantação da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo e da qual a Queiroz é sócia com Odebrecht e UTC, caminha para o desfecho da caducidade. Trata-se da extinção do contrato de forma unilateral pelo poder público por descumprimento de obrigações do privado.

O governo do Estado de São Paulo recebeu na semana passada o aval do conselho que acompanha a PPP para decretar a caducidade do contrato de construção. As obras da Move foram paralisadas em 2016 por dificuldade na obtenção do financiamento de longo prazo com o BNDES, especialmente após o envolvimento das empreiteiras na Lava-Jato. O BNDES é responsável pelo financiamento do projeto que conta com fiança do BTG, Crédit Agricole, Santander e ABC. Na caducidade, os bancos e a concessionária têm direito a receber uma indenização que ainda precisa ser calculada.

Os bancos estão executando as garantias dadas no empréstimo-ponte, tentando reaver o que conseguem com os sócios do projeto e com as indenizações devidas pelo investimento já feito na PPP. Na Desenvolvimento Imobiliário a estrutura dos financiamentos já oferece menor risco. O débito é de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, sendo R$ 800 milhões na modalidade Plano Empresa da Construção Civil, conhecido como Plano Empresário.

Nessa linha, o banco financia o custo de construção do empreendimento e a venda das unidades é usada para o pagamento da dívida, o que reduz a exposição do grupo. A empresa tem mais R$ 500 milhões de dívida corporativa cuja estrutura de pagamento é via “cash sweep” – o excesso do fluxo de caixa após o pagamento das obrigações vai para honrar as dívidas e não para os acionistas. O quarto pacote engloba a construtora e as concessões.

Será criada uma conta “escrow” em nome dos credores. Eles vão receber os recursos gerados desses ativos. Essa conta vai servir também para assegurar qualquer tipo de problema em algum dos outros pacotes.

Com R$ 1,2 bilhão em dívidas, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) é uma negociação separada que pode ser incorporada à da construtora a qualquer momento se houver algum calote. A empreiteira responde por mais da metade das receitas do grupo. Desde a Lava-Jato e com a crise que reduziu o número de obras públicas no país, a receita da empreiteira caiu. As instituições financeiras têm exigido mais garantias e querem que a Queiroz Galvão se desfaça de ativos para aceitarem a renegociação. A empresa tenta vender a participação no EAS, do qual é sócia com a Camargo Corrêa.

No caso das garantias, um dos ativos exigidos pelos bancos, apurou o Valor, eram as ações ou o acesso ao fluxo de caixa da Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP). Uma possibilidade é a empresa vender operações na área de óleo e gás para pagar a primeira parcela do refinanciamento. Está em discussão uma extensão do prazo de pagamento para até oito anos. Se a empresa cumprir os compromissos, os credores poderão estender o prazo para o acerto do valor restante, o que elevaria a duração da reestruturação total para até 18 anos.

Apesar de não haver data para a conclusão, os bancos pressionam a empresa para concluir essa operação. O Itaú Unibanco notificou a empresa de que irá executar as dívidas se não houver acordo. O banco segue Santander e BTG, que já fizeram o mesmo. O BNDES é o maior credor e pediu para entrar com os bancos no compartilhamento das garantias. A complexidade do acordo decorre do fato de o grupo ter várias empresas e credores diferentes.

Por Uol

Quatro anos depois de entrar em recuperação judicial, a Inepar, grupo empresarial que foi um dos símbolos da economia nacional nos anos 1990, está prestes de encerrar o processo na Justiça. A dívida, que era de R$ 4 bilhões em 2014, foi reduzida agora para R$ 1 bilhão. Entre os remédios aplicados pela Starboard, que assumiu a gestão da empresa e foi a responsável pelo plano de reestruturação, figuraram a venda de diversos ativos, a cobrança de ações judiciais e a transformação de credores em sócios.

Com atuação bastante diversificada – que passava pela fabricação de equipamentos para energia, transporte e óleo e gás à telefonia e até um autódromo -, a companhia se viu abatida tanto por crises econômicas do País quanto por estratégias mal conduzidas por antigos gestores da empresa. Desde que assumiu a presidência da Inepar, em 2014, o sócio-fundador da Starboard, Warley Pimentel, cortou cerca de metade dos funcionários e sentou à mesa para negociar com uma série de credores.

A empresa hoje aproximadamente 800 empregados e 70% de suas dívidas são tributárias. Com o fim do processo de recuperação judicial, que deverá ser homologado nas próximas semanas, Pimentel vai deixar a presidência da Inepar. Sua saída está prevista ainda para dezembro.

A companhia vai buscar um novo executivo com um perfil operacional na área de bens de capital. O empresário Atilano de Oms Sobrinho, um dos fundadores do grupo, teve a participação no negócio reduzida, mas continuará a atuar no dia a dia da Inepar, na sede de Araraquara (SP).

Vendas em série

Para reduzir o endividamento, a Inepar vendeu diversos ativos. O grupo se desfez de seu negócio de equipamentos para hidrelétricas, por R$ 120 milhões, para a Andritz, que já era sócia dessa divisão. A austríaca concluiu a compra de um terço da fábrica de equipamentos para infraestrutura em Araraquara, por R$ 115 milhões. Além disso, a Inepar levantou R$ 120 milhões referentes a ações judiciais que movia contra empresas como Furnas e Petrobrás.

A Triunfo ficou com a Tiisa, de construção civil com foco em transporte metroferroviário, por R$ 60 milhões. O grupo se desfez ainda de dois negócios “nanicos”: a Inepar Telecom (por R$ 5 milhões) e uma fabricante de capacitores (R$ 20 milhões). A Inepar também teve de lançar mão de outra medida comum em recuperações judiciais: convencer os credores a converter parte de seus créditos em participação em um negócio combalido. Segundo Pedro Bianchi, sócio da Starboard que também assessorou o processo, outra contribuição relevante para a redução do endividamento foi a adesão ao programa de refinanciamento tributário Refis, o que cortou a dívida de impostos de R$ 1,5 bilhão para os atuais R$ 700 milhões.

Novo acordo

O próximo passo, segundo Pimentel e Bianchi, será a venda dos dois terços restantes da fábrica de Araraquara e do estaleiro CBD, a ser feita por meio de um leilão público, previsto para o início de 2019. A expectativa é que a mineira Geoterra faça um lance de R$ 400 milhões e assuma as dívidas tributárias. Paulo de Tarso, gestor da Geoterra, que é conhecida como operadora ferroviária independente, confirmou o interesse no negócio ao jornal O Estado de S. Paulo.

A companhia, porém, aguarda um aporte de cerca de US$ 3 bilhões a ser captado com investidores de Bielo-Rússia, Alemanha, China e Rússia. Caso a venda da fábrica e do estaleiro seja concretizada, a Inepar deixará de ter negócios relevantes nas mãos. Restarão apenas operações como o autódromo de Curitiba e a Innovida (de casas pré-fabricadas).

Com a reorganização societária promovida na recuperação judicial, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que fez emissão de debêntures perpétuas (sem prazo de vencimento), deverá ter ações da companhia. Atilano de Oms Sobrinho e a corretora Concórdia terão fatias minoritárias no grupo.

O interesse de investidores estrangeiros em bens de capital tem razão de ser. Segundo José Velloso, presidente da Associação Brasileira de Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o investimento em infraestrutura será retomado a partir de 2019. Com isso, a capacidade ociosa das fábricas do segmento deverá ser ocupada.