Por Valor Econômico

SÃO PAULO – Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pode mudar a forma como os bancos atuam nos casos de cessão fiduciária — a chamada trava bancária, em que a empresa, ao tomar crédito, oferece títulos que têm a receber como garantia do pagamento.

A 2ª Câmara de Direito Empresarial, ao julgar processo relativo a uma companhia em recuperação judicial, entendeu que as instituições financeiras só podem se apropriar de valores já vencidos da dívida. Hoje praticamente todos os contratos firmados com os bancos preveem cláusula estabelecendo que o pagamento da dívida será antecipado se a empresa entrar em processo de recuperação judicial. Então é de praxe, nesses casos, o banco reter diretamente da conta do cliente toda a garantia oferecida — que cobre as parcelas em atraso e também o que ainda não tinha vencido.

Os desembargadores, agora, estão se posicionando contra a aplicação dessa cláusula. Eles entendem que não existe motivo para antecipar o pagamento porque dívidas com garantia de natureza fiduciária não se sujeitam aos processos de recuperação das empresas, o que significa que não há mudança alguma em relação às condições de pagamento previstas nos contratos com os bancos.

O desembargador Carlos Alberto Garbi foi o relator do caso analisado pela 2ª Câmara. No voto, ele afirma que ao admitir o vencimento antecipado da dívida se está, na verdade, negando à empresa um direito que é assegurado pela Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101, de 2005). “A retenção de substancial importância dos recebíveis da empresa, em favor de contrato que tinha o seu cumprimento ajustado em parcelas, retira os meios essenciais ao cumprimento de outras obrigações e as condições necessárias ao próprio plano de recuperação”, afirma o desembargador na decisão. A ação foi movida contra um sindicato de bancos que reúne Bradesco, Santander e Citibank (processo nº 2048753- 61.2017.8.26.0000) e tem como autora a Bronzearte, uma empresa que fabrica lâmpadas e luminárias e está em processo de recuperação desde fevereiro de 2017.

Representante da companhia no caso, o advogado Antônio Mazzucco, do escritório Mazzucco & Mello Advogados, entende como um “ato arbitrário dos bancos” o que vinha ocorrendo. Ele cita o artigo 19 da Lei nº 9.514, que instituiu as garantias de natureza fiduciária, e diz que o texto é claro no sentido de que valores que não compõe a dívida têm de ser liberados na conta do cliente. “Esse artigo 19 ficou meio esquecido em meio às discussões sobre cessão fiduciária.

O debate que se tinha até agora era mais no sentido de se entravam ou não nos processos de recuperação e não sobre a quantia que o banco poderia se apropriar”, diz Mazzucco. A Bronzearte agora quer indenização pelos prejuízos sofridos durante o período em que o dinheiro ficou retido. Ela moveu uma nova ação contra o sindicato de bancos, pedindo R$ 9,5 milhões, e também ajuizou pedido de indenização contra outras instituições que anteciparam o vencimento do contrato quando teve início o seu processo de recuperação judicial.

“A empresa ficou privada de liquidez. Faltou dinheiro até para a compra de matéria-prima”, pondera o advogado da empresa.

Pedidos de indenização contra os bancos, aos moldes do que está fazendo a Bronzearte, não foram analisados ainda pelo Judiciário. A decisão da 2ª Câmara Empresarial do TJ-SP é a primeira que se tem notícias no sentido de impedir as instituições financeiras de se apropriarem do total da dívida nos casos em que a empresa inicia um processo de recuperação judicial.

O entendimento, diz Renato Mange, especialista na área de recuperação e falências, se replicado a outros casos vai aliviar a vida das empresas. “Porque hoje, quando o banco retira todo o dinheiro da conta de uma vez só, há risco de o caixa da companhia ir a zero”, afirma o advogado. As empresas, nesses casos, costumam tentar um acordo diretamente com o banco.

O problema, segundo advogados, é que as companhias nem sempre conseguem a liberação das garantias e, quando obtêm, geralmente perdem dinheiro com isso. Para Guilherme Marcondes Machado, sócio do escritório Marcondes Machado Advogados, a decisão do tribunal paulista leva em conta os interesses dos dois lados, credor e devedor.

“Os desembargadores mantiveram os bancos fora do processo de recuperação e permitiram que eles levantassem o dinheiro que não havia sido pago”, diz. “Então não dá para dizer que só os interesses da empresa foram atendidos”, acrescenta. Bradesco, Citibank e Santander foram procurados pelo Valor, mas informaram que não se manifestariam sobre o caso porque não comentam assuntos que estejam sub judice.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Biosev encerrou o quarto trimestre da safra 2017/18, em 28 de março, com um prejuízo líquido de R$ 446,7 milhões — em igual período do ciclo anterior, a perda havia sido de R$ 313 milhões. Segundo a companhia, o resultado reflete eventos não recorrentes, como o compromisso com os antigos acionistas da Santelisa Vale e o “impairment” (perda) com a suspensão das atividades na Usina Maracaju, em Mato Grosso do Sul. Também pesaram sobre o resultado o aumento de custos com revenda de produtos, a alta das despesas financeiras em decorrência do câmbio e efeito da queda do açúcar no período sobre o valor do ativo biológico.

Com esse resultado, a Biosev encerrou uma safra com prejuízo líquido de R$ 1,269 bilhão, mais do que o dobro do prejuízo do ciclo anterior.

Recaiu sobre o último trimestre da safra a obrigação de pagamento de R$ 138 milhões aos acionistas históricos da Santelisa Vale, hoje minoritários da Biosev, referentes a ações movidas décadas atrás contra o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA).

Além disso, a companhia contabilizou perda de R$ 103,075 milhões decorrentes da suspensão da moagem na Usina Maracaju, no município homônimo (MS), conforme decidido no fim da moagem da safra 2017/18.

A linha do prejuízo também foi impactada pelo reconhecimento de perdas de R$ 352,504 milhões com mudança no valor justo do ativo biológico, calculado de acordo com o preço dos produtos na época. Como os preços do açúcar estavam em franca queda no período, o cálculo do valor do ativo biológico também acabou sendo impactado. O cálculo não tem efeito caixa.

No lado operacional, a Biosev elevou sua receita líquida no 4º trimestre ante igual período da safra passada em 24,4%, para R$ 1,955 bilhão, refletindo basicamente ganhos com o negócio de trading de commodities, enquanto as receitas com vendas de açúcar e etanol foram menores do que um ano antes. As revendas de produtos, porém, também foram responsáveis por um forte aumento no custo total da companhia, apesar da redução do custo caixa unitário (referente às operações das usinas). Seu lucro antes de juros, impostos, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 479 milhões no 4º trimestre, alta de 30,3%.

No entanto, se for considerado o desempenho operacional apenas das atividades das usinas — ou seja, excluindo as atividades de revenda —, o Ebitda ajustado somou R$ 442 milhões, aumento de 10,9%. Essa margem Ebitda ficou em 46,1% no trimestre, aumento de 7,66 pontos percentuais. No acumulado da safra, apesar do prejuízo superior a R$ 1 bilhão, a companhia conseguiu registar um aumento em seu caixa de R$ 66,7 milhões, graças à injeção de capital da acionista controladora, a Louis Dreyfus Company (LDC), acertada na última semana do trimestre, como parte do acordo com os bancos para alongar a dívida.

O acordo resultou em uma redução de 29,4% na dívida líquida da Biosev em relação ao fim do 4º trimestre da safra anterior, para R$ 3,318 bilhões. Esse resultado deriva de R$ 1,239 bilhão em amortizações, que foi compensado em parte pelo efeito de R$ 212 milhões da desvalorização de 4,9% do real ante o dólar no período.

Ainda assim, a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) caiu de 3,5 vezes no fim do 4º trimestre da safra anterior para 2,1 vezes no fim desta.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – As recuperações de empresas brasileiras após eventos de calotes de dívidas têm sido mais lentas e menos eficazes nos últimos anos, se comparadas com o começo dos anos 2000. A taxa média de sucesso nesses processos, que atingiu 93% entre 2002 e 2003, baixou para 34% no intervalo de 2012 a 2016, segundo levantamento da S&P Global Rating.

A agência de classificação de risco estudou 34 grandes casos de inadimplência corporativa no Brasil, nos últimos 20 anos. Desse total, 16 empresas se recuperaram, 8 continuaram devedoras e em 10 situações não há informações sobre o desfecho do processo. Em linhas gerais, diz a S&P Global, os motivos para a piora passam pela conjuntura econômica, aumento dos casos de corrupção — principalmente nos setores petrolífero e de construção — e impactos climáticos.

O estudo aponta também que as companhias brasileiras, durante o período analisado, levaram mais tempo para sair da situação de insolvência do que as corporações de outros países da América Latina. Nos últimos anos, as falências no Brasil demoraram, em média, 718 dias para serem resolvidas, ao passo que os processos de reestruturação de dívidas consumiram 461 dias. No México, por exemplo, o tempo médio de conclusão para falências foi de 680 dias e para renegociações, de 284 dias.

Advogados especializados em reestruturação de dívida e recuperação judicial ouvidos pelo Valor afirmaram que, de fato, existe a percepção de que o caminho hoje é mais penoso. Uma das principais razões, dizem, é o quadro conjuntural que prevaleceu durante os anos de 2015 e 2016: aprofundamento da recessão e elevações sucessivas do custo de crédito. Mesmo após inúmeros cortes da taxa de juros básicos pelo Banco Central (BC) — levando a Selic de 14,25% ao ano, em outubro de 2016, aos atuais 6,5% (menor patamar da história) —, o custo de crédito repassado pelos bancos continua crescendo.

O spread bancário, diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa de juros de empréstimos, para pessoas jurídicas saiu de 12,32%, em janeiro de 2013, para 18,13% no mesmo mês de 2017. Em abril deste ano, último dado do BC disponível, o indicador ficou em 13,61%. Em meio a esse cenário, a Nova Lei de Falências, que surgiu em 2005, ganhou importância nos processos recentes de reestruturações, oferecendo mais alternativas a devedores e credores. O principal objetivo da regulamentação é permitir a continuidade da empresa e o amparo a quem tem a receber.

O ponto, no entanto, é que a própria evolução dos negócios e da lei passou a exigir das companhias um planejamento melhor. “Tivemos uma mudança nesse período analisado [últimos 20 anos]. Esse processo todo de default, reestruturação de dívida ganhou muitos novos instrumentos, mas, por outro lado, também ampliou a complexidade”, afirmou Fabio Rosas, sócio das áreas contencioso e restruturação e recuperação de empresas do escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.

“Foi um período em que o Brasil se desenvolveu, que o mercado se desenvolveu.” Gilberto Correa, da área de reestruturação e insolvência do escritório Souto Correa Advogados, acredita que há muitos planos no Brasil que são realizados em bases fracas e pensados somente para se chegar a um acordo e encerrar o processo. “Assim, a empresa acaba não saindo nunca do buraco.

A verdadeira recuperação é se a companhia volta a ter condições necessárias para gerar receita, para se livrar dos passivos e continuar sobrevivendo.”

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Oi, em recuperação judicial, informou na noite de segunda-feira que os credores da companhia, em reunião ocorrida no mesmo dia, dispensaram que a empresa cumpra as condições precedentes estabelecidas no plano de recuperação para a realização do aumento do capital social, por meio da emissão de novas ações.

Em dezembro, o conselho de administração da Oi aprovou alguns ajustes em seu plano de recuperação judicial. Entre as mudanças está o estabelecimento de alguns pontos que a operadora precisava cumprir para que o aumento de capital fosse realizado, como a aprovação do plano na segunda instância no Brasil, em jurisdições do Reino Unido e dos Estados Unidos, um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) mínimo de R$ 5,75 bilhões e que a companhia não estivesse sob intervenção. Uma vez cumpridas essas e outras condições, o conselho de administração não precisaria aprovar o aumento de capital.

Com a medida, a Oi emitirá entre 1.039.868.479 e 1.756.054.163 novas ações ordinárias, a R$ 7 cada. Assim, o aumento ficará entre R$ 7,279 bilhões e R$ 12,292 bilhões. Também serão emitidos pela Oi até 135.081.089 bônus de subscrição, a título de vantagem adicional aos participantes do aumento de capital, na proporção de 0,07692307666 para cada nova ação.

Segundo a Oi, será assegurado aos acionistas o direito de preferência na subscrição das novas ações, com base na posição acionária da próxima quinta-feira (14). O direito de preferência deverá ser exercido no prazo de 30 dias, contados a partir de sexta-feira, com prazo máximo até 16 de julho. Cada ação ordinária e preferencial conferirá ao seu titular o direito de subscrição de 2,5989929669 novas ações, com base no valor máximo do aumento de capital e a atual composição acionária.

Por Valor Econômico

A greve dos caminhoneiros fez o segmento sucroenergético deixar de ganhar R$ 1,2 bilhão pela não comercialização de açúcar e etanol nos dez dias de paralisação, informou ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A mobilização também fez com que as usinas da região Centro-Sul do país deixassem de processar aproximadamente 13 milhões de toneladas de cana.

O volume moído da matéria-prima atingiu 32,4 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, 2,2% mais que no mesmo período do ano passado. Mas o volume poderia ter sido maior não fosse a greve, que deixou as usinas paralisadas por quatro dias e meio. No Paraná, Estado mais impactado, a perda chegou a dez dias de moagem, de acordo com Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica. Na segunda quinzena de maio, 67,5% da cana-de-açúcar processada no Centro-Sul foi destinada à fabricação de etanol, ante 52,5% em igual período de 2017.

A produção do biocombustível alcançou 1,7 bilhão de litros, 44,5% mais que na segunda metade de maio do ano passado, e a de açúcar ficou em 1,3 milhão de toneladas, o que significou uma queda de 23,8% em igual comparação. Em consequência da greve, afirmou Padua em comunicado, “o Centro-Sul deixou de entregar 160 mil toneladas de açúcar para comercialização no mercado doméstico e mais de 170 mil toneladas para exportação”.

No caso do etanol anidro (misturado à gasolina), disse, “apenas 226,95 milhões de litros foram comercializados, menos da metade do volume registrado no mesmo período da safra 2017/2018”. O impacto efetivo da greve sobre as vendas totais de etanol será calculado após a divulgação de estatísticas da ANP.

Do início da atual temporada 2018/19, em 1º de abril, ao fim de maio, a moagem de cana chegou a 134,8 milhões de toneladas, avanço de 20,2% em relação ao mesmo período da temporada 2017/18. A produção total de etanol atingiu 6,6 bilhões de litros, 51,9% maior, e a de açúcar recuou quase 4%, para 5,5 milhões de toneladas.

Por Valor Econômico

As recuperações de empresas brasileiras após eventos de calotes de dívidas têm sido mais lentas e menos eficazes nos últimos anos, se comparadas com o começo dos anos 2000. A taxa média de sucesso nesses processos, que atingiu 93% entre 2002 e 2003, baixou para 34% no intervalo de 2012 a 2016, segundo levantamento da S&P Global Rating. A agência de classificação de risco estudou 34 grandes casos de inadimplência corporativa no Brasil, nos últimos 20 anos. Desse total, 16 empresas se recuperaram, oito continuaram devedoras e em dez situações não há informações sobre o desfecho do processo.

Em linhas gerais, diz a S&P Global, os motivos para a piora passam pela conjuntura econômica, aumento dos casos de corrupção – principalmente nos setores petrolífero e de construção – e impactos climáticos. O estudo aponta também que as companhias brasileiras, durante o período analisado, levaram mais tempo para sair da situação de insolvência do que as corporações de outros países da América Latina.

Nos últimos anos, as falências no Brasil demoraram, em média, 718 dias para serem resolvidas, ao passo que os processos de reestruturação de dívidas consumiram 461 dias.

No México, por exemplo, o tempo médio de conclusão para falências foi de 680 dias e para renegociações, de 284 dias. Advogados especializados em reestruturação de dívida e recuperação judicial ouvidos pelo Valor afirmaram que, de fato, existe a percepção de que o caminho hoje é mais penoso. Uma das principais razões, dizem, é o quadro conjuntural que prevaleceu durante os anos de 2015 e 2016: aprofundamento da recessão e elevações sucessivas do custo de crédito. Mesmo após inúmeros cortes da taxa de juros básicos pelo Banco Central (BC) – levando a Selic de 14,25% ao ano, em outubro de 2016, aos atuais 6,5% (menor patamar da história) -, o custo de crédito repassado pelos bancos continua crescendo. O spread bancário, diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa de juros de empréstimos, para pessoas jurídicas saiu de 12,32%, em janeiro de 2013, para 18,13% no mesmo mês de 2017.

Em abril deste ano, último dado do BC disponível, o indicador ficou em 13,61%. Em meio a esse cenário, a Nova Lei de Falências, que surgiu em 2005, ganhou importância nos processos recentes de reestruturações, oferecendo mais alternativas a devedores e credores.

O principal objetivo da regulamentação é permitir a continuidade da empresa e o amparo a quem tem a receber. O ponto, no entanto, é que a própria evolução dos negócios e da lei passou a exigir das companhias um planejamento melhor. “Tivemos uma mudança nesse período analisado [últimos 20 anos]. Esse processo todo de default, reestruturação de dívida ganhou muitos novos instrumentos, mas, por outro lado, também ampliou a complexidade”, afirmou Fabio Rosas, sócio das áreas contencioso e restruturação e recuperação de empresas do escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados. “Foi um período em que o Brasil se desenvolveu, que o mercado se desenvolveu.”

Gilberto Correa, da área de reestruturação e insolvência do escritório Souto Correa Advogados, acredita que há muitos planos no Brasil que são realizados em bases fracas e pensados somente para se chegar a um acordo e encerrar o processo.

“Assim, a empresa acaba não saindo nunca do buraco. A verdadeira recuperação é se a companhia volta a ter condições necessárias para gerar receita, para se livrar dos passivos e continuar sobrevivendo.”

Em uma análise setorial, o acompanhamento de S&P Global aponta que os casos de insolvência na indústria de petróleo são os mais difíceis de serem solucionados. A OGX, por exemplo, petrolífera fundada por Eike Batista, registrou o maior calote dos últimos 20 anos, deixando de honrar títulos no total de US$ 3,6 bilhões, entrando em recuperação judicial em 2013.

A Lupatech, fornecedora de válvulas e equipamentos para essa indústria, também enfrentou calotes em dois momentos, em 2012 e 2015. O setor petrolífero é especialmente vulnerável por conta das oscilações dos preços da commodity internacional, fortemente influenciada por questões geopolíticas, mas nos últimos anos ganhou um outro impulso negativo: os escândalos de corrupção investigados na Operação Lava Jato, que tiveram como centro a Petrobras. “O impacto que a Lava-Jato teve na Petrobras e nas empresas do setor que gravitam ao redor dela foi brutal.

Apesar de não terem dado muito destaque na parte de serviços, tem muita empresa de serviço petrolífero que fechou as portas, não tinha como sobreviver”, afirmou Correa. Em relação aos casos de sucesso, uma análise mais detalhada da S&P Global constatou que 77% das companhias da amostra que optaram pelo modelo de reestruturação por meio da troca de papéis conseguiram sair das situações de inadimplência.

Nesta categoria, a empresa negocia com os credores a troca de suas dívidas por títulos novos, com taxas menores e prazos mais longos de vencimento. Segundo Correa, esse modelo é o mais recomendado porque geralmente é feito em termos mais amigáveis e evita a necessidade de um acompanhamento judicial. Algumas empresas que optaram por essa solução e se recuperaram foram a Net Serviços de Comunicação, em 2002; a Cesp, em 2003; a USJ Açúcar e Álcool, em 2016; e a Gol no mesmo ano.

O estudo mostrou ainda que, nos casos de pedido de falência, 59% das empresas conseguiu ao menos pagar seus credores. A S&P Global revela também que, nas repactuações de passivos de forma extrajudicial, o índice de sucesso foi de apenas 41% – o pior da amostra.

Trata-se, em geral, de um processo de reestruturação de dívidas entre a empresa e os credores, sem que a companhia peça recuperação judicial e pode incluir o acordo de suspensão de pagamento de dívida (“standstill agreement”). Para Rosas, do Cescon & Barrieu, um ponto em comum entre todas as empresas que conseguiram se recuperar foi o reconhecimento da dificuldade financeira no momento em que surge e, obviamente, a tomada de providências.

“Existe atualmente no Brasil uma cultura de se postergar soluções em reestruturações financeiras até o último minuto, ou até não conseguir mais cumprir as obrigações”, destaca o advogado.

Rosas afirma que a empresa deve aproveitar momentos favoráveis para cuidar da dificuldade financeira, pois o cenário de negócios pode mudar, e tornar a tarefa bem mais difícil. “É preciso aproveitar o momento para alongar a dívida de forma mais confortável”, disse

 

Por Estadão

AAbengoa Bionergia, em recuperação judicial, fechou acordo para a venda de suas duas usinas para o fundo Carval, da Cargill, multinacional que opera na produção e processamento de alimentos. Pelas Usina São Luiz, em Pirassununga, e Usina São João, em São João da Boa Vista, o fundo estaria pagando US$ 80 milhões. O negócio ainda depende da assinatura dos contratos. O fundo teria também assumido o compromisso de injetar R$ 100 milhões nas duas operações. As usinas têm cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas.

Todos por um. A Abengoa Bioenergia, braço sucroalcooleiro da Abengoa Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em setembro de 2017. No início deste mês, a Abengoa Brasil, também em recuperação, vendeu seus ativos operacionais de transmissão de energia no País para o fundo norte-americano TPG, por R$ 482,5 milhões. As dificuldades das companhias seguiram-se às da matriz espanhola, que igualmente recorreu à justiça para reorganizar seu passivo. Procurada, a Cargill não respondeu até o fechamento da nota. Da Abengoa, não foi encontrado porta-voz para comentar.

Por Valor Econômico

A Oi planeja apresentar ao mercado em setembro o desenho da operação de aumento de capital no valor de R$ 4 bilhões, prevista em seu plano de recuperação judicial, conforme apurou o Valor. A expectativa da companhia é de que a capitalização ocorra ainda em 2018, antes portanto do prazo final estipulado no plano de recuperação fiscal, que termina em fevereiro do próximo ano.

Em uma primeira etapa, anterior ao aumento de capital, está prevista a conversão de dívida detida pelos “bondholders” (detentores de papéis emitidos pela empresa no exterior) em participações acionárias, operação crucial para reduzir o endividamento da operadora.

Prevista para ser concretizada em julho, a conversão deve fazer a dívida financeira bruta da companhia cair de R$ 49,7 bilhões para R$ 13,5 bilhões. O aumento de capital mediante a conversão dos créditos em poder dos detentores de títulos terá um valor total entre R$ 7,27 bilhões e R$ 12,29 bilhões.

Os acionistas da companhia terão prazo de 30 dias (a contar a partir de amanhã) para exercer seu direito preferencial de subscrever as ações que serão emitidas como parte da operação. O preço de emissão dos novos papéis ordinários será de R$ 7 por ação. Ontem, as ações da Oi com direito a voto terminaram o pregão da B3 cotadas a R$ 3,62, um pouco mais da metade do valor fixado para a conversão.

Em relatório datado de terçafeira, dia 12, os analistas Susana Salaru e Vitor Tomita, do Banco Itaú BBA, disseram não esperar que os atuais acionistas exerçam seus direitos, uma vez que o valor de R$ 7 está “significativamente acima dos preços atuais das ações.” Maior acionista da Oi, com uma fatia de 27,49% do capital social votante, a Pharol (ex- Portugal Telecom) confirmou – com base no preço de R$ 7 por ação – que não vai participar da conversão, segundo sua assessoria de imprensa. Fonte que acompanha os desdobramentos da operação disse que os portugueses poderão abrir mão do direito preferencial de subscrever novas ações para se capitalizarem.

“Acredito até que ela [Pharol] vai vender esse direito de preferência para fazer algum caixa, já que o caixa dela é muito baixo”, opinou a fonte sob condição de anonimato. No mais recente relatório financeiro e de contas consolidadas da companhia, a Pharol informa que sua posição de caixa – líquida de compromissos associados à dívida bruta, contas a pagar, acréscimos de custos e impostos a pagar – era de € 18,6 milhões ao fim do ano passado.

Com relação à capitalização de R$ 4 bilhões a ser concluída até fevereiro de 2019, a Pharol deixou em aberto a possibilidade de aderir à operação, uma vez que o preço dos papéis pode ser atrativo (R$ 1,2 por ação). A antiga Portugal Telecom esclareceu que já obteve autorização preliminar de acionistas reunidos em assembleia geral.

Ainda na última segunda-feira, em reunião com a direção da Oi, credores dispensaram a operadora de cumprir condições prévias necessárias à realização da conversão de dívida em ações. O fato foi considerado positivo pelos analistas de mercado Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, do Banco BTG Pactual, em relatório distribuído a clientes na terça-feira. “Embora isso já fosse esperado, estabelece um marco muito importante no processo de reestruturação da empresa e elimina um risco importante”, afirmaram os especialistas no texto.

Por Veja SP

Responsável pela marca Fnac no Brasil, a Livraria Cultura confirmou nesta terça (12) o encerramento das atividades da unidade de Pinheiros da rede francesa. A empresa diz que foi feito um aprofundado estudo de viabilidade econômico-financeiro e constatou que a loja era deficitária. O espaço fechou suas portas na noite desta segunda (11).

“Não fazia sentido em um momento de crise econômica manter um negócio deficitário”, confirmou a assessoria de imprensa do grupo. Uma parte dos funcionários deve ser realocada para outras lojas, assim como o estoque de produtos.

Em São Paulo, a Fnac agora mantém apenas duas unidades, na Paulista e no Morumbi. Além disso, traz outras quatro unidades em Brasília, Curitiba, Campinas e Goiânia.

Em maio, os espaços do BH Shopping, em Belo Horizonte, BarraShoppingSul, em Porto Alegre, Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto e Barra Shopping, no Rio, também foram encerrados.

A rede francesa foi repassada para a Cultura em julho do ano passado, que assumiu doze pontos no Brasil, além da presença on-line.

Por Estado de Minas

No próximo dia 27 de agosto, a partir das 11h, será encerrado o leilão de imóveis que pertenciam ao extinto Banco Nacional. Os lotes são constituídos por casas, apartamentos, prédios, lotes urbanos e rurais, chácaras, galpões e salas comerciais localizados em 16 cidades diferentes, em Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.

Dentre as ofertas, os destaques são o lote 1, ofertando um apartamento situado no Bloco F, Asa Sul, em Brasília (DF); lote 3, com um imóvel rural composto de área de terras com benfeitorias em São José dos Quatro Marcos (MT); lote 19, que contempla um apartamento desocupado no bairro Casa Verde, em São Paulo (SP); e lote 29, com um terreno urbano desocupado, com 6 mil metros quadrados de área em Santo André (SP).

No total, são 29 imóveis, com valores abaixo de mercado, que podem ser adquiridos à vista ou em melhores condições de financiamento, com o pagamento de 25% de sinal e o saldo em até 24 meses. A Superimóvel, especializada na venda de imóveis em leilões presenciais e via Internet simultaneamente, é a responsável pela comercialização destes lotes.

“Temos experiência e um histórico de resultados bastante positivos na venda de carteiras imobiliárias de bancos, a exemplo do Banco Santos e Banco Econômico, para o qual realizamos dois leilões de imóveis recentemente. O sucesso nesses leilões e a acessibilidade e alcance da nossa plataforma de pregão online nos credenciaram para transacionar também os imóveis do Banco Nacional”, afirma Gabriel Pupo Nogueira, diretor da Superimóvel.

Apesar de o encerramento do leilão estar marcado para o próximo dia 27 de agosto, os interessados já podem participar, dando lances através do site da Superimóvel (www.superimovel.com.br). As fotos de todos os lotes do leilão, assim como informações detalhadas e condições de venda, também estão disponíveis. Para participar, é necessário fazer o cadastro pelo site e o pedir a habilitação para o leilão, ou comparecer fisicamente no auditório da empresa, no dia 27 de agosto, a partir das 11 horas. Os interessados em conferir os ativos antes da compra deverão entrar em contato com a empresa pelo telefone (11) 2163-7800 para agendar a visita.