Por Exame

São Paulo – Grandes bancos brasileiros já estão se preparando para o cenário da empreiteira e principal empresa do conglomerado Odebrecht pedir recuperação judicial, segundo três fontes bancárias ouvidas pela Reuters nos últimos dias.

“Não tem jeito, agora é mera questão de tempo”, disse à Reuters um alto executivo de um dos maiores bancos do país. “Demoraram demais para reagir, agora ficou difícil.”

Atingida pelas investigações da operação Lava Jato no Brasil e pelos desdobramentos em mais de um dezena de países da América Latina, além da forte recessão no Brasil e revezes em mercados internacionais, como Venezuela, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) viu suas finanças se deteriorarem rapidamente nos últimos meses, após fracassos na tentativa de repor sua carteira de projetos e de vender ativos.

Na terça-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o nota de crédito atribuída à companhia, de CCC+ para CCC, mantendo a perspectiva negativa. O movimento vem cerca de dois meses antes do vencimento de uma parcela de 500 milhões de reais de um bônus com prazo em 25 de abril.

Um não pagamento da dívida pela OEC marcaria uma segunda grande reestruturação para o conglomerado brasileiro, cuja unidade de petróleo e gás pediu recuperação extra-judicial no ano passado para realizar um plano de renegociação 5 bilhões de dólares em títulos.

Segundo a S&P, o caixa da OEC caiu de 1,3 bilhão de dólares em dezembro de 2016 para 700 milhões de dólares em setembro passado. A agência estimou que o Ebitda da companhia ficará na faixa de 300 milhões a 350 milhões de dólares neste ano.

Além do pagamento de abril, a OEC ainda tem que pagar o equivalente a cerca de 200 milhões de dólares a credores ainda neste ano, segundo a S&P, sem contar outros 40 milhões de dólares relativos a acordos legais para encerrar investigações derivadas da Lava Jato.

Em geral, os bancos provisionam a exposição a empresas em recuperação judicial entre 30 a 50 por cento. Esse volume já tem sido reservado pelos bancos ao longo dos últimos anos, na esteira da Lava Jato, segundo fontes bancárias ouvidas pela Reuters.

Os volumes de provisões dos bancos aceleraram desde que a OEC fechou 2016 com queda de 68 por cento da receita líquida sobre o ano anterior, para 18,5 bilhões de reais e prejuízo de 2 bilhões de reais.

Além disso, a carteira de projetos recuou 41 por cento, principalmente pela paralisação de um gasoduto bilionário no Peru. Até o final de 2017, executivos do próprio grupo acreditavam numa saída negociada com credores após concluírem a venda de alguns ativos, como o projeto do gasoduto, o que não aconteceu.

Os bancos têm preferido não serem os primeiros a declarar a OEC inadimplente, dada a relevância da companhia para os projetos de infraestrutura do Brasil e as dezenas de milhares de pessoas empregadas nessas obras.

“Colocar a empresa como inadimplente tem implicações fortes; mexe com a posição junto aos credores e há um movimento antecipado para tudo. Estamos tratando com cuidado para não empurrar a empresa para o buraco, mas não significa que não vai se colocar como inadimplente”, disse uma fonte familiarizada com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O prêmio embutido nos títulos da companhia no mercado, porém, revelam a dimensão da desconfiança dos investidores. Segundo dados da Thomson Reuters, o bônus da companhia que tem pagamento de uma amortização em abril [BR092262383=] embutia rentabilidade de cerca de 111 por cento ao ano.

Uma fonte a par das negociações da empresa com credores afirmou que o conglomerado está negociando uma solução mais abrangente para o pagamento dos bônus de abril para dar fôlego ao grupo em 2018 e que uma solução deve ser fechada até o fim de março.

Enquanto ampliaram provisões, os bancos comerciais também passaram a exigir garantias de melhor qualidade para renovar linhas de crédito para a OEC e outras empresas do conglomerado, como ativos da holding, que divide o controle da petroquímica Braskem com a Petrobras.

Assim, mesmo que a OEC se torne inadimplente e, posteriormente, entre em recuperação judicial, as perdas líquidas para os bancos seriam bastante limitadas, afirmaram as fontes.

“Mas o tratamento contábil (para a dívida da empresa) é o dispensado a uma empresa já em recuperação”, disse uma segunda fonte, de outro banco grande comercial.

Procurada, a OEC afirmou em nota que “vem trabalhando na liquidez dos seus recebíveis e na liberação dos financiamentos já contratados para fazer face às suas obrigações”.

Por Extra Globo

SÃO PAULO (Reuters) – Grandes bancos brasileiros já estão se preparando para o cenário da empreiteira e principal empresa do conglomerado Odebrecht pedir recuperação judicial, segundo três fontes bancárias ouvidas pela Reuters nos últimos dias.

“Não tem jeito, agora é mera questão de tempo”, disse à Reuters um alto executivo de um dos maiores bancos do país. “Demoraram demais para reagir, agora ficou difícil.”

Atingida pelas investigações da operação Lava Jato no Brasil e pelos desdobramentos em mais de um dezena de países da América Latina, além da forte recessão no Brasil e revezes em mercados internacionais, como Venezuela, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) viu suas finanças se deteriorarem rapidamente nos últimos meses, após fracassos na tentativa de repor sua carteira de projetos e de vender ativos.

Na terça-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o nota de crédito atribuída à companhia, de CCC+ para CCC, mantendo a perspectiva negativa. O movimento vem cerca de dois meses antes do vencimento de uma parcela de 500 milhões de reais de um bônus com prazo em 25 de abril.

Um não pagamento da dívida pela OEC marcaria uma segunda grande reestruturação para o conglomerado brasileiro, cuja unidade de petróleo e gás pediu recuperação extra-judicial no ano passado para realizar um plano de renegociação 5 bilhões de dólares em títulos.

Segundo a S&P, o caixa da OEC caiu de 1,3 bilhão de dólares em dezembro de 2016 para 700 milhões de dólares em setembro passado. A agência estimou que o Ebitda da companhia ficará na faixa de 300 milhões a 350 milhões de dólares neste ano.

Além do pagamento de abril, a OEC ainda tem que pagar o equivalente a cerca de 200 milhões de dólares a credores ainda neste ano, segundo a S&P, sem contar outros 40 milhões de dólares relativos a acordos legais para encerrar investigações derivadas da Lava Jato.

Em geral, os bancos provisionam a exposição a empresas em recuperação judicial entre 30 a 50 por cento. Esse volume já tem sido reservado pelos bancos ao longo dos últimos anos, na esteira da Lava Jato, segundo fontes bancárias ouvidas pela Reuters.

Os volumes de provisões dos bancos aceleraram desde que a OEC fechou 2016 com queda de 68 por cento da receita líquida sobre o ano anterior, para 18,5 bilhões de reais e prejuízo de 2 bilhões de reais.

Além disso, a carteira de projetos recuou 41 por cento, principalmente pela paralisação de um gasoduto bilionário no Peru. Até o final de 2017, executivos do próprio grupo acreditavam numa saída negociada com credores após concluírem a venda de alguns ativos, como o projeto do gasoduto, o que não aconteceu.

Os bancos têm preferido não serem os primeiros a declarar a OEC inadimplente, dada a relevância da companhia para os projetos de infraestrutura do Brasil e as dezenas de milhares de pessoas empregadas nessas obras.

“Colocar a empresa como inadimplente tem implicações fortes; mexe com a posição junto aos credores e há um movimento antecipado para tudo. Estamos tratando com cuidado para não empurrar a empresa para o buraco, mas não significa que não vai se colocar como inadimplente”, disse uma fonte familiarizada com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O prêmio embutido nos títulos da companhia no mercado, porém, revelam a dimensão da desconfiança dos investidores. Segundo dados da Thomson Reuters, o bônus da companhia que tem pagamento de uma amortização em abril [BR092262383=] embutia rentabilidade de cerca de 111 por cento ao ano.

Uma fonte a par das negociações da empresa com credores afirmou que o conglomerado está negociando uma solução mais abrangente para o pagamento dos bônus de abril para dar fôlego ao grupo em 2018 e que uma solução deve ser fechada até o fim de março.

Enquanto ampliaram provisões, os bancos comerciais também passaram a exigir garantias de melhor qualidade para renovar linhas de crédito para a OEC e outras empresas do conglomerado, como ativos da holding, que divide o controle da petroquímica Braskem com a Petrobras.

Assim, mesmo que a OEC se torne inadimplente e, posteriormente, entre em recuperação judicial, as perdas líquidas para os bancos seriam bastante limitadas, afirmaram as fontes.

“Mas o tratamento contábil (para a dívida da empresa) é o dispensado a uma empresa já em recuperação”, disse uma segunda fonte, de outro banco grande comercial.

Procurada, a OEC afirmou em nota que “vem trabalhando na liquidez dos seus recebíveis e na liberação dos financiamentos já contratados para fazer face às suas obrigações”.

Por JM Online

No mês de março de 2018 chega ao fim o prazo de dois anos para solução do processo de recuperação judicial da Copervale Alimentos S/A. Como nada ainda foi resolvido, foi marcada assembleia geral de credores para a próxima quarta-feira, dia 28, às 13h. A empresa entrou com a ação na Vara de Execuções Fiscais e Registros Públicos de Uberaba em 2013, mas o pedido só foi concedido em 2015.

Segundo a administradora judicial Elizete Beatriz Seixlack, todos os ex-trabalhadores e credores da Copervale estão convocados e devem comparecer pessoalmente à sede da empresa, à margem da BR-262, ou enviar um representante legal munido de procuração com poderes específicos para deliberar na assembleia. A administradora alerta que não será permitida a entrada de visitantes, a fim de se manter a ordem.

Com a conclusão da lista final de credores, a dívida da Copervale, em que constam débitos trabalhistas, tributários, bancários e com fornecedores e prestadores de serviços, apurada até hoje, já ultrapassa R$55 milhões.

Elizete Beatriz explica que, durante a assembleia, os credores deverão escolher entre aceitar o pedido de convocação, que significa transformar o estado de recuperação judicial em falência, ou acolher nova proposta de pagamento das dívidas a ser apresentada pelos gestores da empresa. “Ao término desse prazo de dois anos, se a empresa não cumprir os requisitos específicos da Lei de Recuperação, que no caso da Copervale é o pagamento dos credores, o caso pode ser convolado, ou seja, transformado em falência, o que é um novo processo judicial. Na realidade, vamos chegar ao fim desse debate. No próximo mês encerra-se o prazo de 24 meses e não teve, por parte da Copervale, a comprovação do pagamento de credores”, esclarece.

A administradora afirma que o resultado da assembleia será lavrado em ata a ser encaminhada para o juiz da Vara de Execuções Fiscais, Stefano Renato Raymundo, que deve proferir decisão dentro de no máximo 30 dias, para definir quais serão os próximos passos do caso. No entanto, Elizete Beatriz ressalta que a deliberação da assembleia é soberana. Um ofício será encaminhado ao Comando da Polícia Militar para pedir a presença de policiamento, a fim de garantir a segurança de todos os envolvidos.

Por O Globo

Mais de três meses depois de ser enviado pelo Ministério da Fazenda à Casa Civil, inicialmente apenas para retoques finais, o projeto da nova lei de recuperação judicial e de falências acaba de retornar para a equipe econômica.

A Casa Civil mandou o projeto junto com um documento assinado por três advogados e um desembargador. No texto, eles pedem alterações em pontos importantes da proposta original.

Dois dos advogados são Ivo Weisberg e Eduardo Munhoz, ambos especialistas no assunto. O desembargador, do TJSP, é Carlos Teixeira Leite Filho; e o outro advogado é Edgar Silveira Bueno Filho, amigão de Michel Temer.

Ou seja, o que era para virar lei com celeridade, ainda demora a vir à luz.

Por Valor Econômico

O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) manteve ontem a Oi em acompanhamento regulatório especial e rejeitou o pedido de instauração do processo de caducidade da concessão e de cassação das autorizações de serviços do grupo, como antecipou o Valor, ontem. O presidente da agência, Juarez Quadros, disse que a decisão, tomada em reunião fechada do colegiado, foi por unanimidade.

A adoção de medidas regulatórias mais duras contra a Oi foi aventada no segundo semestre do ano passado, frente ao desacordo entre a diretoria executiva e grupos de acionistas. Agora, nas palavras de um integrante da agência, o “pior já passou”. Uma fonte da Anatel informou que a aprovação do plano em assembleia de credores e sua homologação pela Justiça afastam as possibilidades de impor intervenção ou caducidade à concessão.

A Anatel manteve, porém, todas as medidas de monitoramento preventivo adotadas anteriormente, o que inclui a presença de representantes da agência nas deliberações do comando da Oi. Com isso, técnicos da agência continuarão a acompanhar as reuniões da diretoria executiva e do conselho de administração.

Mesmo com a melhora de perspectiva de recuperação da Oi, o comando da Anatel julgou que ainda é necessário manter o estado de vigilância. O rigor no monitoramento deve permanecer até a realização do aumento de capital previsto no plano de recuperação homologado pela Justiça. Ficou definido que seria realizado o aporte de R$ 4 bilhões até o início de 2019.

Quadros disse que, durante a reunião, três representantes da Oi se pronunciaram. A agência já havia informado, na semana passada, sobre a possibilidade de manifestação de executivos da empresa. Ofícios de aviso foram enviados ao diretorpresidente, Eurico Teles, e ao presidente do conselho de administração, José Mauro da Cunha.

O processo de “Acompanhamento Especial do Grupo Oi” foi aberto em 2015. A fiscalização da agência chegou a cair em descrédito por não resultar em medidas regulatórias que pudessem evitar o alto endividamento e o posterior pedido de recuperação judicial, em junho de 2016. Integrantes da agência ouvidos pelo Valor reconhecem que a autarquia enfrentava dificuldade de impor determinações às prestadoras com contratos de concessão de telefonia fixa e autorizações para oferta dos demais serviços (celular, TV por assinatura e banda larga).

Inicialmente, o caso foi relatado pelo conselheiro Igor de Freitas, que deixou a agência em novembro. Partiu dele a ideia de instaurar o processo de caducidade da concessão e cassação de autorizações, o que foi rejeitado ontem. A estratégia de Freitas foi adotada porque ele considerava que eventual intervenção na concessão produziria efeitos somente sobre a operação de telefonia fixa.

Ontem, prevaleceu a visão do novo relator, o conselheiro Leonardo de Morais. Para o diretor, a intervenção na Oi poderia abranger a gestão de todos os serviços, sem que fossem necessárias mudanças na lei. Uma das razões é o simples fato de todas autorizações estarem sob o guarda-chuva de uma holding, a concessionária de telefonia fixa.

Por Valor Econômico

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT) adotou entendimento que garante a bancos e fornecedores o direito de receber dívidas contraídas por José Pupin, um dos grandes produtores de grãos e algodão do país, e sua esposa, Vera Lúcia Camargo Pupin, mais rapidamente. Foram concedidas pelo menos 11 liminares para afastar débitos anteriores ao registro do casal como empresários individuais do processo de recuperação judicial.

As decisões fazem parte de uma segunda fase no embate entre credores e produtores rurais do país, que têm obtido o direito a entrar em recuperação judicial sem os dois anos de inscrição em junta comercial – como empresários individuais – exigidos pela Lei de Recuperação Judicial e Falências (nº 11.101, de 2005). Para magistrados, bastaria a comprovação da atividade pelo período mínimo estabelecido pela norma.

As liminares foram concedidas depois de o casal ingressar com um segundo pedido de recuperação judicial e obter o aval da Justiça. Entre os credores beneficiados estão Petrobras, John Deere, Bradesco, Banco do Brasil, Bayer e Itaú Unibanco.

Na primeira tentativa, sem os dois anos exigidos de inscrição em junta comercial, o casal foi obrigado a levar a discussão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acabou desistindo do recurso, no fim de 2016, e optou por um novo pedido no ano seguinte, acatado pela 1ª Vara Cível de Campo Verde (MT).

Agora, enfrenta a oposição de credores. Hoje, as dívidas do grupo JPupin somam aproximadamente R$ 1,3 bilhão – R$ 825,13 milhões mais US$ 128,36 milhões. Os ativos do grupo e dos sócios estão avaliados em cerca de R$ 1,4 bilhão.

Em uma das decisões, favorável à Bayer, a desembargadora Serly Marcondes Alves, da 4ª Câmara de Direito Privado, entendeu que “o registro da condição de empresário não possui efeitos retroativos”. E, por isso, só dívidas posteriores poderiam ser listadas na recuperação judicial.

“Então, a partir do momento em que anteriores ao registro da condição de empresário dos agravados, não subsiste qualquer fundamento para envolver os créditos da agravante [Bayer] na recuperação judicial atual, muito menos a ponto de impedir a continuidade dos processos de execução em curso e a publicidade dos protestos com eles relacionados”, diz na decisão.

Com as liminares, a defesa do casal Pupin decidiu ingressar com um conflito de competência. De acordo com a advogada Camila Somadossi, do escritório Finocchio e Ustra Advogados, a questão deveria ser definida pelo desembargador Sebastião de Moraes Filho, que recebeu o primeiro recurso, e não pela desembargadora, para quem os casos foram transferidos por ter sido a relatora do primeiro pedido de recuperação judicial dos Pupin.

Sobre o mérito, a advogada entende que não podem ser separadas as atividades do empresário individual das exercidas pelo produtor rural. “As obrigações contraídas pela pessoa natural são de responsabilidade do empresário individual e vice-versa, uma vez que são a mesma pessoa”, diz a advogada. “A jurisprudência – inclusive a do Superior Tribunal de Justiça (STJ) – reconhece isso: não existe personalidade jurídica de empresário individual.”

Para o advogado Antonio Carlos de Oliveira Freitas, sócio do Luchesi Advogados, que defende a Bayer, porém, só poderiam entrar na recuperação judicial os débitos contraídos entre a data em que deram entrada nos registros e os dois anos exigidos pela lei. “Não dá para ser retroativo. Estariam tratando de forma desigual os credores”, diz.

Ele destaca que, na decisão, a desembargadora considera a discussão inédita e que não há na jusrisprudência “qualquer apoio” para a inclusão de débitos anteriores ao registro da condição de empresário de José Pupin e sua esposa.

De acordo com a magistrada, “a recuperação judicial não pode chegar ao extremo de desprestigiar a segurança jurídica das relações, nem de atentar contra a saúde patrimonial de outrem, máxime dos próprios credores. Jamais e repito, jamais, a recuperação de um pode resultar na derrocada do outro”.

O advogado Ricardo Dosso, do escritório Dosso Advogados, defende, porém, que o entendimento do TJ-MT não se sustenta. Pela legislação, acrescenta, todos os créditos de titularidade do devedor e existentes na data do pedido estão sujeitos à recuperação judicial.

“O produtor que se inscreve na junta e pede recuperação não tem outra personalidade jurídica. Ele é uma pessoa só, que vinha exercendo regularmente suas atividades sem o registro. É ele o devedor. Não tem outro”, diz o advogado.

Não faz sentido, segundo ele, a Justiça estar aceitando a recuperação judicial de produtores rurais sem os dois anos exigidos de inscrição em junta comercial e retirar depois todos os créditos anteriores. “É uma contradição. Vira um processo inócuo.”

Por Valor Econômico

Impedida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de se desfazer de sua carteira de créditos podres, a Caixa Econômica Federal passou a negociar com devedores a recuperação de, ao menos, parte dos débitos. De acordo com o presidente do banco, Gilberto Occhi, a medida foi tomada em abril e já trouxe um resultado financeiro superior até mesmo ao da própria venda. Mesmo assim, a intenção de alienar o ativo continua nos planos.

Segundo Occhi, a estratégia do banco diante do impedimento do TCU foi de procurar devedores e oferecer a oportunidade de eles “limparem o nome” com a renegociação. “Tivemos essa restrição e fomos encontrar uma alternativa, que foi a renegociação. Chamamos essas pessoas para limpar o nome. Como ela não tem condições de pagar tudo, ela paga menos e liquida essa dívida”, afirmou ao Valor.

De acordo com o presidente da Caixa, enquanto a venda da carteira de créditos podres ao mercado traria ao banco algo entre 3% e 5% do total de dívidas inscritas na carteira, a renegociação dos débitos trouxe o dobro disso. “Tivemos um desempenho que foi mais que o dobro só chamando as pessoas e negociando. Para a nossa surpresa, o resultado foi muito bom”, disse.

Apesar da estratégia, Occhi disse que a venda da carteira continua nos planos do banco. A única pendência é o aval do TCU, com quem a instituição continua em contato acerca do tema. “Estamos finalizando tudo o que o TCU exigiu. Caso eles liberem, eu vendo uma carteira ainda mais depurada”, disse. Essa operação teria um impacto imediato no capital da Caixa, pois os “créditos podres” vendidos seriam retirados do balanço, diminuindo a necessidade de alocação de capital.

Além disso, o banco está também negociando a venda da carteira de bens que não são usados pelo banco. Compõem essa rubrica imóveis dados como garantia em empréstimos que acabaram não quitados. A intenção é negociar essa carteira de ativos com fundos de investimento, mas Occhi não forneceu detalhes. No ano passado, por exemplo, a Caixa chegou a negociar a venda de uma carteira de R$ 1 bilhão em imóveis retomados com um fundo de investimentos.

As operações fazem parte da estratégia da Caixa para melhorar seu capital nível 1 (de melhor qualidade) e atender regras prudenciais do Acordo de Basileia a partir de 2019. Desde o ano passado, o banco desacelerou suas operações de crédito e tenta vender carteiras, como a de imóveis retomados por falta de pagamento para diminuir a necessidade de alocação de capital.

Além disso, o Tesouro Nacional abriu mão de receber o mínimo de 25% de dividendos que a instituição financeira teria de passar ao governo. Com isso, a equipe econômica entende que o banco terá condições de conceder crédito e cumprir, no próximo ano, o limite de capital exigido no Acordo de Basileia para fazer frente a operações realizadas.

Independentemente dessas medidas, Occhi indicou que já haverá uma melhora do índice de Basileia no balanço anual de 2017, a ser divulgado até o começo do próximo mês.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO – A Viver Incorporadora e Construtora, que está em processo de recuperação judicial, receberá mais R$ 1,8 milhão de um contrato de financiamento DIP (“debtor-in-possession financing”) firmado com o Paladin Prime Residential Investors (Brazil) LLC, conforme fato relevante divulgado nesta terça-feira (20).

O contrato de empréstimo foi realizado em fevereiro de 2017, com um valor total de até R$ 20 milhões.

Conforme o documento, o desembolso adicional “tem como objetivo ajudar a companhia na manutenção de suas atividades e a superar a momentânea crise econômico-financeira que vem enfrentando e que produziu um estrangulamento em seu capital de giro.”

O Paladin é um fundo imobiliário administrado pela Paladin Realty Partners, gestora de private equity focada em países emergentes localizada nos Estados Unidos. O fundo é o principal acionista do bloco de controle da Viver desde 2008. Atualmente, a participação do Paladin na Viver é de 25,06%, de acordo com informações do site da B3.

Por Valor Econômico

Foi com pouco alarde que o Santander anunciou, em agosto do ano passado, a compra de uma participação de 70% na gestora de recuperação de créditos em atraso Ipanema. O banco deixou a discrição apenas agora, e revelou planos ambiciosos para a empresa, que acaba de ser rebatizada de Return Capital: chegar à liderança desse mercado, que movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões anualmente no país.

Ainda neste ano, a meta é triplicar o volume de ativos sob gestão, atualmente em R$ 12 bilhões, afirmou ao Valor Lauro Leite, superintendente executivo do Santander e presidente da Return. A equipe da empresa dobrou com o reforço de 30 funcionários do banco, mas se manterá como uma companhia independente.

Embora separada do banco, a gestora espera se valer da força comercial do Santander para ampliar tanto o acesso a potenciais vendedores de créditos como de investidores. “Queremos resolver o problema de qualquer companhia que tenha vendas a receber em atraso”, afirma Leite.

As gestoras que atuam na recuperação de crédito compram carteiras “podres” de instituições financeiras e empresas, pagando um preço muito menor do que o valor original do crédito. A aposta é que serão mais eficientes na cobrança, recuperando um valor acima do que pagaram.

A entrada do Santander deve esquentar ainda mais a competição nesse mercado, que Leite prefere chamar de “pós-crédito”. O Itaú Unibanco está presente no segmento desde o fim de 2015, com a compra da Recovery, líder desse mercado e que pertencia ao BTG Pactual. A Ativos, do Banco do Brasil, deixou de atuar na recuperação exclusiva de carteiras do banco e passou a comprar créditos de terceiros.

A atuação independente do banco deve ser um dos diferenciais da Return, segundo Leite. “O Santander até pode entrar em alguma operação, mas não pretende atuar na compra de carteiras”, afirma. O capital da gestora continuará vindo de terceiros, principalmente investidores institucionais e estrangeiros, que já conhecem esse mercado. “Hoje existe mais recursos do que ativos disponíveis”, afirma.

Além de atuar na compra de créditos em atraso com suas gestoras, os grandes bancos também são os principais vendedores no mercado. Apenas em 2017, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander venderam quase R$ 26 bilhões em créditos inadimplentes. Mas o valor é ainda maior porque o Santander não revela o valor das carteiras baixadas a prejuízo que foram negociadas.

O Santander também não mudará a sua política de venda de carteiras para privilegiar a Return. “O que o banco pode fazer é nos contratar para fazer a recuperação de créditos, mas sem vender a carteira”, afirma, ao acrescentar que esse tipo de operação deve começar a acontecer tão logo os sistemas do banco permitam.

A Return pretende participar dos processos de compra de grandes carteiras, mas vê um mercado de atuação muito mais amplo em operações menores. “Conseguimos adaptar nosso processo a qualquer tipo de empresa”, diz Godofredo Barros, que era sócio da Ipanema e agora é diretor de desenvolvimento de negócios da Return.

A queda da taxa básica de juros (Selic) também favorece as gestoras que atuam nesse mercado, segundo Barros. O cenário atual contribui no processo de renegociação das dívidas, que tiveram de ser alongadas por um prazo maior do que o historicamente usado pelas empresas em razão da crise econômica. “O juro baixo nos dá mais tempo para fazer a recuperação dos créditos”, afirma.

Por Valor Econômico

A gestora americana Castlelake está em processo de due diligence para adquirir da Renuka do Brasil, que está em recuperação judicial, a Usina Revati, localizada em Brejo Alegre (SP), segundo três fontes ouvidas pelo Valor. O processo começou há dois meses, conforme antecipou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, na sexta-feira, e deve durar mais um mês. Inicialmente, o interesse é apenas por essa unidade, mas uma das fontes disse que a gestora pode avaliar a aquisição da segunda usina da empresa, a Madhu, em Promissão (SP).

A gestora está conversando com alguns credores e chegou a fazer uma proposta de pagamento de dívidas para os fornecedores de cana que têm créditos a receber da Renuka do Brasil. Segundo uma fonte, foi proposto um corte de 81% no valor devido e parcelamento do restante por 11 anos. A oferta, porém, foi rechaçada pelos produtores, que a consideraram “indecorosa”, segundo essa fonte.

As negociações devem continuar, já que a Castlelake tem interesse em conversar com os produtores para garantir que sigam fornecendo cana após eventual aquisição.

A eventual venda da Revati não significa que a unidade voltará a operar imediatamente, já que o canavial da região se deteriorou após anos sem investimentos. Estima-se que seriam necessários três anos para recompor as lavouras da região para garantir um volume mínimo de cana para a operação.

Para a concretizar a compra, a Castlelake terá que esperar a liberação judicial do leilão da unidade, suspenso por liminar. E, no caso de um leilão, pode ter de concorrer com outros interessados.

Caso a venda demore, a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, cogita uma saída de curto prazo. A possibilidade seria arrendar a usina à Castlelake até o leilão, diz outra fonte. Essa seria uma forma de garantir a entrada imediata de recursos no caixa.

A Renuka ainda não decidiu qual das duas usinas vai operar na próxima safra, que começa em pouco mais de um mês. A perspectiva é que só a Madhu entre em operação, já que não há cana suficiente para ambas. Segundo outra fonte, se o arrendamento for acertado, é possível que a Revati opere e a Madhu, não.

Com o prolongamento do processo de recuperação judical, fornecedores que tinham contratos com a Renuka romperam os acordos na Justiça e devem fornecer cana a outras usinas. Há apenas 5 milhões de toneladas de cana nas lavouras para processamento pelas duas unidades na próxima safra, metade da capacidade combinada de ambas.

Procurada, a Castlelake não respondeu até o fechamento desta edição. A Renuka do Brasil não se pronunciou.