Por: Valor Econômico

O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) entendeu que deve ser recolhida contribuição previdenciária sobre a remuneração recebida por funcionários contratados como pessoas jurídicas (PJs). Foi a primeira vez que a Câmara Superior julgou o assunto. Por voto de qualidade ­ desempate do presidente ­ a 2ª Turma considerou que havia, no caso analisado, relação de emprego.

Por Valor Econômico

SÃO PAULO ­ O total de calotes de empresas no mundo chegou a 37 no terceiro trimestre de 2016, representando US$ 31,1 bilhões em dívida, afirmou a agência de classificação de risco S&P Global Rating, que considerou apenas as notas das companhias que acompanha.

Das empresas que deixaram de cumprir suas obrigações no período, 20 são do setor de energia e recursos naturais, cinco são de transportes, quatro do setor de serviços e consumo, três são instituições financeiras, 2 produtoras de equipamentos aeroespaciais e automotivos, uma de tecnologia e outra de bens de consumo.

A taxa global de calote nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre subiu para 4,16%, de 3,65% no fim de junho. “Nos últimos meses, o setor de energia e recursos naturais tem sido o maior contribuidor para esta taxa”, afirmou Diane Vazza, diretora geral da S&P. Excluindo esse segmento, a taxa global de calotes no período foi de 2,4%. Somente para empresas de energia e recursos naturais, chegou a 19% até setembro deste ano.

Por Valor Econômico

A trading francesa Sucden estima que o mercado internacional de açúcar voltará a ter uma situação de produção superior ao consumo na safra 2017/18 ­ que começará em outubro do próximo ano ­ após dois ciclos de déficit.

A projeção converge com a recente sinalização da Organização Internacional do Açúcar (OIA), de que o déficit de oferta de açúcar da safra atual seria “zerado” na próxima temporada. Até o momento, porém, esse cenário tem sido visto com ceticismo por executivos do setor.

Em apresentação feita ontem em um seminário da OIA, em Londres, a trading estimou que o superávit de oferta deverá ser de 2,1 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra, revertendo o déficit de 4,5 milhões de toneladas calculados para a temporada atual.

Duas semanas atrás, a OIA calculou que o déficit de oferta da safra atual seria de 6,2 milhões de toneladas, e que a relação seria mais “balanceada” em 2017/18, caso o clima se mantivesse em condições normais pelos próximos 21 meses.

O principal motivo para essa expectativa de virada é a Índia, afirmou Eduardo Sia, trader da Sucden no Brasil, ao Valor. A estimativa da trading é que a produção no país volte aos níveis anteriores ao El Niño, alcançando 28,1 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18.

“Na safra 2014/15 a produção [na Índia] foi semelhante. Depois houve problemas climáticos sucessivos, e de uma produção de 28,3 milhões de toneladas passaram para 25 milhões de toneladas na safra 2015/16, e a safra 2016/17 deve ficar em 22,8 milhões de toneladas”, afirmou Sia.

Também há otimismo com a produção de açúcar da Europa como reação à valorização da commodity nos últimos 12 meses. A projeção é que saia de um patamar de 15 milhões de toneladas na safra atual para 17 milhões de toneladas no ciclo seguinte ­ volume que os europeus já conseguiram produzir no passado, segundo o trader. O impacto do fim das cotas de produção e exportação de açúcar na União Europeia (UE) não foi avaliado nesse cálculo.

As projeções da Sucden foram feitas desconsiderando eventuais impactos de fortes adversidades climáticas. Eduardo Sia ressaltou que também há elementos macroeconômicos que podem interferir nessas projeções, como a política chinesa para as cotas de importação e a retirada de moedas em circulação na Índia.

A perspectiva de um superávit, porém, é descartada por executivos de usinas no Brasil. Rui Chammas, diretor presidente da Biosev, disse em evento ocorrido ontem que não vê expansão de capacidade ocorrendo no Brasil no curto prazo. Luis Roberto Pogetti, presidente do Conselho de Administração da Copersucar, avaliou que não deve haver movimento nesse sentido nos próximos cinco anos. Para Helder Gosling, diretor comercial e de logística do Grupo São Martinho, ainda é cedo prever uma correlação entre oferta e demanda para a safra 2017/18.

Por: Valor Econômico

SÃO PAULO – A Mangels Industrial negociou com credores um aditivo ao seu plano de recuperação judicial, que altera as condições de pagamento estabelecidas no planejamento inicial homologado no fim de 2014.

Por meio de nota que será distribuída ao mercado nesta segunda­-feira, a empresa explica que o aditivo foi aprovado em assembleia no dia 16 e homologado pela Justiça na quinta-­feira (24).

Há três anos, a Mangels entrou com pedido de recuperação judicial. Em dezembro de 2014, a empresa negociou um plano com credores e destaca que, apesar de ter cumprido todos os itens acordados, “diante do atual cenário econômico negativo, precisou recorrer ao aditivo para redistribuir de forma equilibrada o pagamento da dívida”.

Foi negociada carência de 24 meses para o valor principal e de 18 meses de juros, alongamento da dívida e “cash sweep” (distribuição de valor quando o saldo de caixa ultrapassar o mínimo estabelecido).

“Buscamos novas bases que permitem o alinhamento da capacidade de geração de caixa frente ao atual quadro recessivo da economia brasileira”, disse Fabio Mazzini, diretor de finanças, administração e relações com Investidores da Mangels e responsável pela reestruturação.

O aditivo foi homologado pelo juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Recuperação e Falência de São Paulo.

Líder no mercado brasileiro de rodas de alumínio para o setor automotivo e de botijões de GLP, a direção da Mangels iniciou uma profunda reestruturação. Definiu como foco estratégico o negócio de rodas de alumínio. “Pelo seu maior potencial de crescimento e geração de caixa”, explica a empresa, por meio de nota.

Outras iniciativas foram colocadas em prática visando a redução de custos e melhoria do fluxo de caixa. O quadro de executivos foi reduzido de 52 para 25 cargos, o estoque de matéria-­prima passou de 13 para 3 dias e praticamente todos os contratos de fornecedores foram renegociados.

Na área industrial, foram implantadas medidas de redução de despesas. Como consequência, a Mangels fechou o terceiro trimestre deste ano com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) acumulado de R$ 23,9 milhões, revertendo o resultado negativo de um ano antes.

Entre 2013 e 2016, a geração de Caixa/Ebitda da empresa teve acréscimo de mais de R$ 110 milhões. A receita líquida acumulada até o terceiro trimestre deste ano chegou a R$ 340,1 milhões, ligeiramente superior ao patamar visto no mesmo período de 2015.

A Mangels ressalta que está adimplente com todas as suas obrigações, incluindo fornecedores, funcionários e compromissos fiscais.

Por: Valor Econômico

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) tem negado a apreensão de bens adquiridos por meio de contratos de alienação fiduciária ­ nos quais o próprio bem é dado como garantia do pagamento. O entendimento vale para casos em que o devedor já quitou boa parte da dívida.

Para os desembargadores, caberia uma execução menos gravosa para essas situações excepcionais ­ nas quais mais de 80% das dívidas foram quitadas. As decisões vão em sentido contrário ao posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os ministros definiram que, em caso de não pagamento integral das parcelas, caberia a apreensão do bem.

Uma das decisões beneficia uma indústria que financiou três caminhões pelo Banco Volkswagen e efetuou o pagamento quase integral de dois deles. No TJ­SP, obteve a suspensão de pedidos de apreensão nos dois contratos. A liminar foi deferida em outubro pela desembargadora Maria Lúcia Pizzotti. Segundo a decisão, em um dos contratos firmados com o banco, já foi quitado 84% do valor total (50 das 60 parcelas). No outro, 80% (48 de 60 parcelas).

Na decisão, a desembargadora afirma que “não parece razoável tampouco proporcional que depois de pagas tais quantias os pactos sejam rescindidos e os veículos apreendidos pelo débito cujo valor poderia, inclusive, ter sido negociado administrativamente, evitando os custos com advogados, custas e de manutenção do próprio processo”.

A desembargadora ainda destaca que a empresa se utiliza dos veículos para realizar suas atividades “e, com isso, auferir lucro, imprescindível para quitação de seus débitos”. Porém, na decisão, manteve a apreensão do caminhão cujo contrato ainda não foi substancialmente pago.

Para o advogado da indústria, Ricardo Amaral Siqueira, do Ricardo Siqueira Sociedade de Advogados, “não é razoável ou admissível a retomada de bens dados em garantia quando cumprida parcela significativa do contrato”.

A liminar reformou decisão de primeira instância, que tinha entendido pela aplicação de recurso repetitivo da 2ª Seção do STJ. Em maio de 2014, os ministros definiram que nos contratos firmados na vigência da Lei nº 10.931, de 2004, compete ao devedor pagar a integralidade da dívida, no prazo de cinco dias após a execução da liminar na ação de busca e apreensão, sob pena de consolidação da propriedade do bem que foi objeto da alienação fiduciária.

De acordo com Eduardo Gasparoto, gerente de Assuntos Jurídicos & Cobrança Judicial da Volkswagen Serviços Financeiros, a situação fica ainda mais delicada quando se impede a retomada de bem de um contrato de Finame ­ crédito de longo prazo para aquisição de bens novos. “Trata­se de um financiamento de veículos com recursos do BNDES, cujas baixas taxas de juros só são possíveis face aos subsídios provenientes dos recursos do Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT), ou seja, dinheiro público”.

Essas decisões, acrescenta ele, “são contrárias à legislação vigente e geram risco às operações de Finame, abrindo precedente para que contratos do BNDES não sejam honrados. E podem ter como consequência a elevação da taxas de juros, prejudicando a concessão de crédito destinada ao desenvolvimento social para manutenção e geração de empregos”.

Recentemente, a 25ª Câmara de Direito Privado do TJ­SP concedeu pelo menos mais duas liminares. Em um dos casos, o Banco Itaucard recorreu de decisão que tinha negado a apreensão porque o contratante tinha pago 52 das 60 prestações (86% do contrato). O banco alegou no processo que o contratante estava com as prestações atrasadas e que foi regularmente notificado.

No caso, o relator, desembargador Edgard Rosa, entendeu que “houve adimplemento substancial do mútuo garantido por pacto adjeto de alienação fiduciária [86%], restando em aberto montante que não justifica a resolução do contrato e o prosseguimento da busca e apreensão”.

Ainda citou decisão semelhante da 4ª Turma do STJ, cujo relator foi o ministro Luis Felipe Salomão, no qual o contratante tinha pago 86% da obrigação total. Na decisão o ministro afirma que “a teoria substancial do adimplemento visa impedir o uso desequilibrado do direito de resolução por parte do credor, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação da avença, com vistas à realização dos princípios da boa­fé e da função social do contrato”.

A decisão do desembargador, porém, ressalta que não se está com o entendimento vedando o direito do banco em receber o saldo remanescente. Só que a cobrança deve ser feita “de maneira menos gravosa ao devedor que adimpliu substancialmente as parcelas do financiamento”.

Por nota enviada ao Valor, o Itaú Unibanco esclarece que mesmo nos casos em que há decisão impedindo a busca e apreensão do veículo, o cliente continua responsável pelo pagamento da dívida, nas condições ajustadas. “Entendemos que o respeito aos contratos é base da estabilidade das relações e evita insegurança jurídica”, diz o comunicado.

Em outro processo, o relator, desembargador Hugo Crepaldi, negou provimento ao agravo da BV Financeira (Banco Votorantim), que não obteve liminar em primeira instância para a apreensão de um automóvel. No caso, houve a quitação de 40 das 48 parcelas do financiamento. Segundo a decisão, ainda que exista o posicionamento do STJ, devem haver exceções nos casos em que houve adimplemento substancial. Procurado pelo Valor, o Banco Votorantim preferiu não se manifestar.

Por: O Estadão de S. Paulo

Sem conseguir cumprir os termos acertados com os credores, cresce o número de companhias que volta à mesa de negociações

Quase dois anos depois de ter o plano de recuperação judicial aprovado pelos credores, a fabricante de rodas de liga leve Mangels teve de rever o acordo para continuar de pé. Há pouco mais de duas semanas, a empresa conseguiu aprovar em assembleia as novas condições do plano de recuperação, que preveem a extensão dos prazos de pagamento da dívida, de cerca de R$ 500 milhões. A companhia alegou que a forte e rápida deterioração da economia brasileira afetou as premissas do plano original e, com isso, os pagamentos de 2017 poderiam ser comprometidos.

O caminho seguido pela Mangels também tem sido a alternativa de outras centenas de empresas com dificuldades para cumprir os planos de recuperação. Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial (INRE) mostra que o número de companhias que estão revendo os acordos com os credores, num universo de cerca de 6 mil empresas, cresceu 31,5% nos últimos dois anos.

O setor que mais tem recorrido a uma nova rodada de negociação das recuperações judiciais é o comércio. Dos 31,5% de crescimento, 13,5 pontos porcentuais são de empresas do segmento. Em seguida, aparece o agronegócio, com 8 pontos porcentuais; indústria, com 5 pontos porcentuais; e serviços, 3 pontos porcentuais. “Na maioria dos casos, o plano de recuperação foi feito com base numa conjuntura econômica que previa venda de unidades e imóveis. Com a crise, isso não foi possível”, diz Carlos Henrique Abrão, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e conselheiro fundador do INRE.

No caso da Mangels, por exemplo, o pedido de recuperação judicial foi feito em 2013 e o acordo fechado em 2014. Quando o plano foi desenhado, o dólar estava perto de R$ 2,20 e a economia ainda crescia. Em 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3% e, no ano seguinte, 0,1%. Daí para frente, o tombo da atividade econômica foi brusco e o número de empresas que sucumbiram ao aperto do crédito e à queda de receitas foi grande. Só neste ano, o volume de companhias que entraram em recuperação judicial aumentou 132%, segundo o INRE.

Revisão. Mas esse movimento teve início no segundo semestre de 2014. Agora, no entanto, começa um novo ciclo, que é o fim da carência para iniciar vários pagamentos. “Notamos que desde o começo do segundo semestre a procura de empresas em recuperação judicial por revisão dos planos tem aumentado”, afirma o sócio da consultoria TCP Latam, Fábio Flores. Na avaliação dele, é fácil entender esse novo movimento: as vendas estão mais devagar e o passivo continua grande. “Nesse ambiente, negociações mais simples não funcionam mais.”

Muitas empresas apostavam na venda de ativos para conseguir honrar parte dos compromissos. Mas a onda de incerteza pela qual o Brasil passou – e ainda passa – atrapalhou os negócios. A Mangels, por exemplo, só conseguiu agora uma sinalização de que conseguirá vender um imóvel em São Bernardo do Campo. Segundo o diretor financeiro da empresa, Fábio Mazzini, o dinheiro será usado integralmente para quitar parte da dívida com credores estrangeiros.

A expectativa é que essa onda de repactuação perdure por mais um tempo até que as condições econômicas se fortaleçam. O presidente da consultoria Alvarez & Marsal, Marcelo Gomes, afirma que há vários processos de revisão de planos feitos a partir de 2010, cujos prazos de carência terminam agora. “As vendas não voltaram ao normal, a rentabilidade não melhorou e o crédito secou, além de ter ficado mais caro. O problema é que são empresas que dependem de capital de giro para operar.

Para entender. Desde 2005, a Lei de Recuperação e Falências tem sido o instrumento utilizado por empresas para reestruturar atividades. A recuperação judicial é uma medida para evitar a falência de uma empresa, pedida quando a companhia perde a capacidade de saldar suas dívidas.

O recurso possibilita que a empresa mantenha suas atividades, o emprego dos funcionários e os interesses dos credores (que querem ser pagos). O pedido tem de ser feito na Justiça e, uma vez realizado, a empresa tem seis meses para apresentar aos credores um plano de como pretende sair da crise e saldar suas dívidas.

Este ano até setembro, segundo a Serasa Experian, 1.479 empresas entraram com pedido de recuperação judicial. O número é 62% maior do que o registrado no mesmo período de 2015.

Por: Valor Econômico

RIO – A MMX Mineração e Metálicos, holding de mineração de Eike Batista, entrou esta noite com pedido de recuperação judicial na Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ­RJ).

O pedido de recuperação inclui também a subsidiária MMX Corumbá Mineração, cujos ativos de minério de ferro estão arrendados, mas sem operar.

O pedido de recuperação da holding de mineração de Eike ocorre mais de dois anos depois de outra subsidiária do grupo, a MMX Sudeste, também ter entrado com pedido de recuperação judicial, neste caso na Justiça de Belo Horizonte.

A MMX Sudeste é a principal empresa operacional do grupo, com minas de minério de ferro que foram vendidas recentemente para a Mineração Morro do Ipê, controlada por um Fundo de Investimento em Participações (FIP) pertencente à trading Trafigura e a Mubadala, empresa de investimentos de Abu Dhabi.

As dívidas totais da MMX S.A., holding de Eike listada na Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa), alcançam R$ 500 milhões.

O principal credor da holding é a MRS Logística, concessionária da antiga malha Sudeste da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

A dívida com a MRS se relaciona ao descumprimento, pela MMX, de um contrato firme de transporte de minério de ferro acertado entre as partes.

O contencioso foi resolvido por meio de uma arbitragem e a MMX se comprometeu a pagar R$ 225 milhões à MRS em prazo de 18 meses a contar da homologação do acordo.

Se a dívida não fosse paga nesse período, a MRS tinha direito a executar o valor contra a holding de Eike que tinha oferecido garantias. Esse prazo venceria em fevereiro de 2017.

Por: Valor Econômico

A agência ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) elevou a cota na qual se enquadra o etanol de cana­de­açúcar para ser misturado junto à gasolina em 2017 nos EUA em relação a sua proposta inicial, divulgada em maio.

A cota mínima de mistura de “biocombustíveis avançados”, excluindo a parcela reservada para o biodiesel e o etanol celulósico, ficou em 969 milhões de galões (equivalente a 3,7 bilhões de litros). Em maio, a proposta da EPA era que essa cota ficaria em 688 milhões de galões (2,6 bilhões de litros). Com a nova regra, essa cota cresceu 82% sobre a deste ano.

O etanol de cana é considerado menos poluente que o etanol do milho nos EUA e encaixa­se na cota de “biocombustíveis avançados” na política de mandato de biocombustíveis do país, junto com o biodiesel e o etanol celulósico. Desde maio, agência realizou consultas públicas e recebeu propostas dos agentes envolvidos.

Apesar do espaço maior para o etanol de cana, a participação do biodiesel no mandato de “biocombustíveis avançados” é ainda maior e ficou em 2 bilhões de galões (ou 7,6 bilhões de litros), enquanto a do etanol celulósico nessa cota ficou em 311 milhões de galões (ou 1,2 bilhão de litros). Em relação aos mandatos válidos para este ano, essas cotas foram elevadas em 5% e 35%, respectivamente.

O aumento do mandato de “biocombustíveis avançados” é uma notícia positiva para o Brasil, que é o maior fornecedor de etanol para os EUA. Porém, o produto brasileiro também concorre com o biodiesel nessa categoria e precisa ser mais competitivo, observou Vitor Andrioli, analista da FCStone.

No total, o mandato para os “biocombustíveis avançados” para 2017 ficou em 4,28 bilhoes de galões (12,3 bilhões de litros), o que representou um incremento de 18,6% sobre o mandato vigente.

Para os biocombustíveis convencionais ­ cota em que se encaixa o etanol de milho ­, o mandato para o ano que vem ficou em 15 bilhões de galões (56,8 bilhões de litros), enfim alcançando a meta inicial da lei de 2007 de Padrões de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês), que previa que este patamar de mistura seria atingido em 2015.

Em maio, a proposta da EPA era de uma cota de 14,8 bilhões de galões (56,024 bilhões de litros) para os biocombustíveis convencionais. Esse mandato representa um crescimento de 3,4% em relação ao deste ano.

A Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos comemorou a decisão da agência americana. “A agência vai estimular novos interesses em etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados, direcionando investimentos em infraestrutura para acomodar o E15 [mistura de 15% do etanol na gasolina] e misturas maiores de etanol, e impulsionando a redução da emissão de gases de efeito estufa”, avaliou Bob Dinneen, presidente da associação, em comunicado.

Por: Valor Econômico

SÃO PAULO ­ – A Justiça decretou nesta quarta-­feira a falência da Karmann­-Ghia, antiga fabricante de automóveis que, nos últimos tempos, havia se transformado numa empresa de autopeças. O juiz Gustavo Dall’Olio, da 8ª Vara Cível de São Bernardo, atendeu a pedido ajuizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em junho, que argumentou que a empresa teria abandonado a fábrica instalada em São Bernardo do Campo (SP) depois de longo período sem cumprir as obrigações trabalhistas.

“A falência é a única medida cabível, considerando o crítico estado econômico­-financeiro, levado a cabo por gestores e controladores cujos atos e condutas serão criteriosa e oportunamente avaliadas”, destacou a sentença, segundo informação divulgada pelo sindicato.

“Ao longo de mais de um ano tentamos vários acordos de parcelamento de dívidas e preservação dos postos de trabalho”, destacou, por meio de nota, o diretor do sindicato, Carlos Caramelo.

Segundo ele, os trabalhadores estão sem receber os salários desde dezembro passado e até a energia elétrica já tinha sido cortada por falta de pagamento.

O sindicato pretende reivindicar à Justiça bloqueio dos bens dos sócios da empresa como garantia para pagamento dos cerca de 600 empregados, que incluem os que estavam na ativa e os demitidos que não receberam pela rescisão. Os representantes da empresa não puderam ser localizados.

Na tentativa de evitar a saída de máquinas, a fábrica está ocupada por trabalhadores desde maio. A fábrica da Karmann-Ghia foi inaugurada em 1960. Dois anos depois, o primeiro Karmann­-Ghia brasileiro saiu da linha de montagem. O veículo seguia a linha de esportivo que fazia sucesso na Europa. Tempos depois, a empresa passou a produzir trailers.

Saída dos jardins da casa do ex­-banqueiro Edemar Cid Ferreira, a escultura “Vestal Reclinada com Pássaro”, de Victor Brecheret (1894­-1955), já tem um novo dono. Depois de mais de uma dezena de lances, uma oferta de R$ 2,7 milhões arrematou a obra ontem no leilão da massa falida do Banco Santos, mais do que o dobro da proposta inicial de R$ 1,1 milhão. Brecheret foi um dos principais representantes da arte moderna no Brasil.

A morada da obra mais cara do pregão ainda é desconhecida. Em pé na platéia, Sueli Cravo fez o lance final, mas disse que estava apenas representando o verdadeiro comprador, que ditou a ela os lances por telefone. Sueli é esposa do leiloeiro Aloisio Cravo, que conduziu a venda do acervo do Banco Santos. Questionada pela reportagem sobre o comprador, ela disse que não poderia identificá-­lo. “É um cliente.” A escultura “Touro Zebu” de Brecheret também foi vendida no leilão, avaliada em R$ 340 mil, ante um valor mínimo de R$ 100 mil.

Apenas uma das 214 obras leiloadas ontem teve seu comprador publicamente anunciado. Tão logo Cravo bateu o martelo numa oferta final de R$ 770 mil, o leiloeiro divulgou que a “Tríade Trindade”, de Tunga (1952­-2016), foi arrematada pelos patronos da Pinacoteca do Estado de São Paulo. O lance foi quase o dobro dos R$ 400 mil do lance mínimo inicial.

Ao todo, o leilão arrematou R$ 11,87 milhões com a venda de 138 lotes, acima dos R$ 8 milhões para esta primeira etapa do leilão ­ uma segunda acontecerá apenas via internet no dia 29. Não é nada mal para o acervo em questão. “É um leilão de grandes nomes, mas, em geral, de obras medíocres”, afirmou João Carlos Lourenço, que faz a avaliação do acervo do Banco Santos há 12 anos para a massa falida. Lourenço cita como exemplo a falta de documentação de peças chinesas e o fato de a escultura em bronze “Anunciação”, da artista Maria Martins (1894-­1973), ser uma fundição póstuma, sem assinatura.

Vários compradores, porém, enxergaram em parte das obras um valor que superou em muitas vezes os lances mínimos estabelecidos. Uma escultura em ferro e sem nome do mineiro Amílcar de Castro (1920­-2002) começou a ser vendida por R$ 220 mil, mas teve como oferta final nada menos que R$ 1,55 milhão. Mal o leiloeiro Cravo anunciava o lance inicial da obra do artista concretista, as propostas vindas via internet já estavam em R$ 480 mil. A partir disso, vieram vários lances também de intermediários, que estavam com os verdadeiros ­ e sigilosos ­ compradores no celular, informando os lances.

Um óleo sobre tela de Antônio Manuel também começou valendo R$ 9 mil, mas terminou a série de lances comprado por R$ 220 mil. Nascido em Portugal em 1940, o artista plástico chegou ao Brasil em 1953 e mostrou em algumas de suas obras o repúdio ao regime militar.

Uma das obras vendidas por altas cifras, “Grande Fita Vertical Amarela”, de Franz Weissmann (1911­-2005), recebeu um lance de R$ 500 mil por um comprador via internet. O preço mínimo era de R$ 130 mil. O adquirente, no entanto, ainda não sabe se levará a escultura em metal de mais de dez metros de largura por seis metros de altura para casa. Cravo afirmou que uma possível doação anterior da obra poderia impedir sua venda.

Duas pinturas de Tomie Ohtake (1913­-2015) também foram bastante disputadas. A menor delas alcançou R$ 340 mil, com um preço mínimo de R$ 125 mil, enquanto a maior de 2m por 2m saiu por um pouco mais, a R$ 360 mil, partindo do mesmo lance mínimo. Dois bambolês de ferro já não interessaram tanto e foram arrematados pelo lance mínimo de R$ 180 mil.

Nelson Leirner (1932) e Djarina (1914­-1979) estão entre os demais artistas que tiveram obras avaliadas em várias vezes o lance inicial. Na parte de fotografia, a platéia contava com um interessado em especial. Em fase final de preparação para a abertura de um museu de fotografia em Fortaleza em março do ano que vem, o cearense Silvio Frota arrematou várias delas, de artistas como Robert Doisneau (1912-­1994) e Henri Cartier ­Bresson (1908­2004). “Até perdi a conta do que comprei, foi de 20 a 30, mas levei tudo o que queria”, disse ao Valor.

Os recursos levantados no leilão vão ajudar a instituição no pagamento de R$ 2 bilhões que ainda deve a seus credores. Controlado por Cid Ferreira, o Banco Santos teve sua falência decretada em 2005.